A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 13/11/2020
Na obra cinematográfica “As melhores coisas do mundo”, que estreou em 2010, é retratado o dilema de alguns adolescentes que sofrem com a divulgação de calúnias nas mídias sociais. De modo semelhante, não muito distante da ficção, crimes de ódio e cyberbullying são praticados por inúmeros usuários, os quais são encorajados pela ineficiência do poder público no combate a esses delitos e pela omissão de muitas vítimas que não denunciam seus agressores, por não encontrar com facilidade amparo jurídico e especializado. Assim, é importante que medidas sejam tomadas para sanar essa problemática.
Em primeiro plano, com o surgimento da internet, na segunda metade do século XX, grandes avanços sociais, científicos e de comunicação foram possibilitados. No entanto, à medida que seu uso vem se popularizando sem o devido monitoramento de órgãos fiscalizadores, numerosos crimes são praticados pelos internautas, e a internet deixa de ser uma ferramenta positiva, tornando-se um algoz. Desse modo, devido a falta de controle do Estado, é comum que usuários mal intencionados se escondam em perfis falsos, a fim de expor suas vítimas, praticando bulliyng, e veicular, criminosamente, mensagens de ódio a minorias sociais, e a possibilidade de anonimato na rede estimula ainda mais a prática de delitos e à violação da integridade individual, trazendo consequências negativas para quem é vítima, como depressão e em alguns casos o suicídio.
Além disso, de acordo com dados divulgados pelo governo federal, existem apenas 11 delegacias especializadas em crimes cibernéticos, espalhadas pelas principais capitais do país. Tendo isso em vista, por conta do baixo investimento estatal para instalação desse tipo de delegacia, as vítimas de difamação, cyberbullying e crimes de ódio - como injúria racial e xenofobia - na internet, enfrentam dificuldades para denunciar seus agressores, o que impossibilita o enfrentamento dessa classe de transgressão legal, corroborando com a impunidade e com a manutenção dessa espécie de violência que desestabiliza o bem-estar social por afetar diretamente a saúde mental dos indivíduos.
Em vista do exposto, muito embora a internet sirva como ferramenta para o encurtamento das distâncias físicas, pode se tornar um canal de violência psicológica. Portanto, é imprescindível que o Estado aumente o investimento no combate a crimes nas redes, por meio da parceria com empresas privadas especializadas em meios digitais, as quais vão criar algoritmos que identifiquem perfis falsos que praticam cyberbullying e propagam mensagens de ódio, com a finalidade de diminuir a impunidade nos meios digitais e intensificar o enfrentamento à violação do bem-estar individual.