A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 27/11/2020
No episódio “Odiados pela Nação”, da série Black Mirror, alguns famosos são mortos devido a atitudes intolerantes praticadas. O critério para selecionar quem morreria, era o número de hashtags “MorteA” postadas. Todavia, no final do episódio, todas que postaram o discurso de ódio foram mortas, revelando o foco do assassino, que seria todos os intolerantes. Fazendo uma analogia com os tempos atuais, em que se tornou comum as práticas de bullying nas mídias, devido à banalização e à intolerância, discute-se, portanto, a internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede.
Primeiramente, é imprescindível salientar o papel da Revolução Técnico-Científico-Informacional, ou “Era Digital”, em que o acesso as redes ficou muito mais fácil, comprovando a teoria de Hans Jonas, que a tecnologia trouxe poderes imensuráveis de utilização, mas também sérias consequências a humanidade. Ademais, no documentário produzido pela Netflix, “O dilema das Redes”, é possível ver o controle das mídias sobre o indivíduo e o aumento dos discursos de ódio, gerando um ambiente propício para as “guerras virtuais”, aumentando a intolerância e consequentemente, o bullying. Logo, é necessário que as redes sociais criem mecanismos de identificação e bloqueio de agressores.
Outrossim, em novembro de 2015, Dilma Rousseff sancionou uma lei contra o bullying e o cyberbullying, entretanto, em uma sociedade que, como cita Hannah Arendt, “banalizou o mal”, não é somente com punições que o problema irá se amenizar. É necessário a conscientização feita através da educação, sendo essa, capaz de transfazer realidades. De acordo com uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), 1/3 dos jovens em 30 países sofrem, ou já sofreram com o bullying virtual. É uma realidade que muitos enfrentam, podendo levar a depressão ou até ao suicídio, como é mostrado na série " Os 13 Porquês", em que a personagem se isola cada vez mais e se mata.
Fica evidente, portanto, que os crimes de ódio e o cyberbullying na rede configuram-se como um grande problema na sociedade atual. O Ministério da Educação, junto com o Poder Público, deve, estimular debates em instituições de ensino, por meio de projetos sociais com psicólogos, professores e profissionais da área da tecnologia, garantindo a informação e mostrando as consequências que o bullying pode trazer. Ademais, a mídia como difusora do conhecimento, junto com setores tecnológicos devem garantir a conscientização e criar mecanismos de segurança para que agressores sejam facilmente identificados e punidos. Como afirma o filósofo Platão, “educai as crianças e não será necessário punir os homens”.