A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 04/12/2020

Um conhecido provérbio japonês diz ‘‘O medo é tão profundo quanto a mente permite’’, a frase indica que os bloqueios para o que se diz ou faz só existem na consciência. Um indivíduo sabe o que ‘‘pode ou não fazer’’ em sociedade, isso é reflexo do que lhe foi ensinado quando criança. Entretanto, com a chegada da internet, foi criada uma ‘‘barreira’’ entre quem diz e quem vê o que foi dito. Assim, existe um senso de segurança e anonimato ao se dizer e fazer o que quer ‘‘on-line’’, eliminando o fator ‘’empatia’’ e deixando a curiosidade e vontade de fazer o proibido como principais motivadores de seus atos.

Sob esse prisma, é notável que as leis contra bullying e crimes de ódio são úteis por se aplicarem na ‘‘web’’ também, porém com a sensação de ser uma ‘’terra sem leis’’, muitos desses crimes, se não a maioria, são cometidos na própria internet e ficam sem punição. Um exemplo disso é o Twitter, muitos crimes de ódio são cometidos todos os dias nessa rede social e em muitas outras, os próprios usuários tentam fazer o papel de juiz e tentam ‘‘cancelar’’ a pessoa que cometeu o crime ou agiu de má-fé. Contudo, não é papel delas decidir isso já que muitas vezes esses ‘‘cancelamentos’’ ocorrem com base em equívocos e geram prejuízos imensos, levando até ao suicídio em alguns casos como no de Alec Holowka.

Nesse contexto, é importante observar que de acordo com o centro de pesquisa sobre cyberbullying, 87% dos jovens já viram essa forma de intimidação ocorrer na internet, o que é preocupante já que pesquisas do Centro de Prevenção do Crime dos Estados Unidos mostram que entre 26 e 41% das pessoas que sofreram de ciberassédio demonstraram sintomas de ansiedade ou tiveram pensamentos suicidas. Por isso, visto que o contato com a internet na atualidade é quase inevitável, medidas devem ser tomadas para impedir os constantes problemas sociais que ela traz junto aos seus benefícios.

Diante disso, é indispensável que ocorra fiscalizações mais eficientes quanto as redes sociais, para tanto faz-se imprescindível que o Poder Judiciário estimule operações quanto ao cumprimento das leis já existentes quanto até onde vai o seu direito de liberdade de expressão na internet. Além disso, a família também deve ensinar ao jovem que mesmo quando na rede deve-se tratar as pessoas com respeito e ter empatia, assim, proporcionando uma sociedade mais compreensiva e menos tóxica. A partir dessas mudanças, a sociedade brasileira avançará, e haverá garantia dos direitos fundamentais aos cidadãos e dignidade para todos.