A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 04/12/2020

Discurso de ódio é qualquer ato de comunicação - verbal - que insulte, afete negativamente, constranja e fira a integridade moral, física e psíquica de uma pessoa ou grupo, que tem como base características: raça, gênero, etnia, nacionalidade, sexualidade e outros aspectos diversos da sociedade hodierna. Nesse viés, convém analisarmos os pilares que afirmam os crimes de ódio e cyberbullying na rede e transforma a internet como vilã: motivação segregacionista e a confiança da impunidade.

Em primeira análise, vivemos em um país diversificado, todavia a diversificação não agrada a uma parcela da população, parcela esta que insiste e persiste em ofender e constranger a minoria, seja ela minoria social ou quantitativa. Desta maneira, motivados pela necessidade de segregar uma parcela da população que não concorda, ou não se encaixa na visão de certo ou errado dessa parcela segregacionista, encontramos nas redes os famosos perfis falsos que praticam e promovem o cyberbullying e o discurso de ódio contra outras pessoas, que são afetadas de forma psicológica e emocional, que pode até mesmo desencadear possíveis problemas psicológicos mais graves.

Em segunda análise, faz-se necessário lembrar que o cyberbullying e a propagação de ódios nas redes sociais é crime, exposto no artigo 5° da Constituição Federal de 1888 que garante que a lei que rege o Brasil, punirá qualquer descriminação aos direitos  e liberdades fundamentais de cada cidadão. Entretanto, é comum vermos o discurso de ódio nas redes atrelado ao cyberbullying, porém não vemos a punição do agressor. Desta forma o agressor se sente mais forte e mais confiante, já que cerceou o direito alheio uma vez e prejudicou de forma grave outro indivíduo e não sofreu as devidas punições. Desta forma o agressor subentende que nada acontecerá com ele e sente a necessidade de fazer mais e mais vezes, assim prejudica de todas as formas o oprimido que também sente medo de denunciar e a sensação de abandono, já que o opressor não é severamente punido.

Portanto, é necessário que o discurso de ódio seja erradicado das redes sociais. É indispensável, assim, que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Segurança Pública e o Ministério da Família estabeleçam estratégias que visem diminuir os impactos psicológicos nos oprimidos, por meio de terapias e psicólogos especializados para ajudar a vítima, bem como a criação e divulgação de programas de orientação nos veículos midiáticos e plataformas digitais, a fim de aconselhar, ensinar, ajudar e reeducar as famílias brasileiras acerca da consequências e dos efeitos negativos para a vítima e ensinar o opressor a lidar com a diversidade, além da efetivação das leis, para que o opressor não se sinta o dono da internet. A partir dessas mudanças a sociedade brasileira avançará.