A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 05/01/2021

Desde o fim da Guerra Fria e o avanço da globalização surgiu no mundo a internet, a qual revolucionou a vidas das pessoas. Sob essa ótica, é inegável a crucialidade dessa ferramenta para a promoção da comunicação. No entanto, apesar dos benéficios, esse instrumento se transformou em um vilão, uma vez que os crimes de ódio estão presentes no mundo virtual.  Nesse sentido, pode-se afirmar que a negligência governamental e a escassa abordagem do problema agravam essa situação.

Primeiramente, é válido destacar que a displicência estatal colabora com esse cenário. Sob essa ótica, Thomas Hobbes defendia que o poder público era responsável por preservar a dignidade e segurança aos cidadãos. Entretanto, diante do cenário virtual nacional, a tese defendida pelo autor configura-se desfeita, uma vez que apesar de ações como a Lei Contra Crimes Virtuais, o poder estatal ainda anda de contramão dos processos que visam reduzir os delitos de ódio na " Web’’. Nesse aspecto, como o espaço virtual é ilimitado e é grande a ascenção de usuários, a escassez de atitudes,  bem como a identificação dos infratores, inviabiliza a descontrução desse impasse.

Além disso, é pertinente ressaltar que a insuficiente exposição dessa problemática também contribui para o regresso no combate ao ciberbullying.  Nessa perspectiva, muitas vezes, a mídia negligencia o debate acerca dos xingamentos nas redes de comunicações, o que faz com que esses comportamentos deliberados  não sejam denunciados. Dessa forma, é indubitável que a pouca abordagem midiática proporciona a perpetuação da violência virtual, uma vez que a omissão da sociedade permite que mensagens e comentários depreciativos se alastrem rapidamente e tornem o bullying ainda mais perveso.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para que a internet não seja um canal de difusão da violência. A priori, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia, cuja função é possibilitar o acesso à informação científica, em parceria com as empresas de mídias sociais, promover o controle mais rígido de qualquer postagem. Isso pode ocorrer por meio da fiscalização e bloqueio automático de comentários que evidenciem expressões de ódio, além do rastreamento dos perfis responsáveis, a fim de estabelecer um maior controle sobre o casos de ciberbullying e facilitar as punições aos transgressõres, o que iria reduzir, assim, o progresso desse problema. Ademais, a mídia deve elaborar reportagens de denúncia, as quais exibam esses tipos de atitudes. Sendo assim, se tais medidas forem postas em prática, a afirmação de Hobbes e a atuação das leis contra os crimes onlines serão vivenciadas por todos os cidadãos brasileiros.