A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 25/04/2021
No episódio “ Shut up and dance” da série Black Mirror, o personagem Kenny aceita participar de uma sucessão de desafios impostos por um agressor virtual em troca de não ter seu vídeo intimo exposto na internet. Nesse sentido, a narrativa revela como o assédio virtual leva a vítima a criar uma imagem negativa de si própria e a faz ter pensamentos nocivos que afetam sua vida. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada na série pode ser relacionada com a da sociedade do sec. XXI, em que muitos agressores fazem suas vítimas no mundo virtual. Esssas ações covardes são proporcionadas pela ausência de uma legislação especifica parar punir os ofensores e pelo despreparo emocional das crianças e dos jovens para lidarem com ameaças virtuais.
Em primeiro lugar, é relevante destacar a carência de um código que puna os agressores, embora que existam a Lei Carolina Dieckmann, que penaliza quem invade aparelhos alheios sem autorização, e a Lei do Marco Civil, que decreta direitos e deveres para os usuários da internet, a justiça encontra muita dificuldade para tipificar os crimes que não se enquadram nas leis previstas, como por exemplo: a pornografia de revanche, em que o agressor não aceita o termino de seu relacionamento e divulga conteúdos íntimos de sua ex-companehira ou ex-companheiro nas redes sociais. Além disso, de acordo com o professor Ramon J. Moles, o ciberespaço não dispõe de fronteiras territoriais, mas de normas ou técnicas, que regulam sistemas de acesso e que não pertencem ao mundo jurídico. Assim, fica evidente que as leis que regem o mundo real, não são efetivas na internet.
Ademais, outro fator agravante é o despreparo emocional de crianças e jovens, visto que muitos dos agressores aproveitam da ingenuidade infantil para faze-las suas vítimas, como é o caso do jogo baleia azul, em que os jogadores, maioria crianças e adolescentes, tinham que cumprir 50 desafios, que iam desde tarefas fáceis à mutilações e lesões corporais, os quais culminavam no suicídio da vítima. Paralelamente, é notável a dificuldade que as famílias e as escolas têm em abordar alguns assuntos com os jovens e prepara-los para agirem com mais discernimento em casos de abuso e desrespeito aos seus direitos.
Portanto, é preciso que as escolas em parceria com a associação de pais e mestres pressionem o ministério da educação a debater assuntos que são considerados tabus pela sociedade, por meio da criação de disciplinas as quais abordem temáticas como: sexo, violência assédio, a fim de preparar as crianças e jovens para os conflitos emergentes da vida online, de modo que eles possam entender seus direitos e se defender de assédios virtuais. Somente assim, as pessoas não ficarão reféns de seus agressores e não se igualarão ao personagem Kenny da série Black Mirror.