A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 25/04/2021

Ódio virtual

A série de televisão distópica “Black Mirror” apresenta em um de seus episódios um enredo em que através de uma votação online, os internautas poderiam escolher quem deveria morrer e quem deveria viver. O cenário pode parecer algo distante da realidade, mas não passa de um reflexo hiperbólico do ambiente das redes sociais atualmente. Escondidos por nomes de usuário criativos e fotos de perfil de personagens, muitos usuários perdem suas inibições. O resultado é um frenesi de emoções devastadoras, que apesar de serem virtuais, atingem alvos reais. É necessário que tais atos passem a ser punidos, pois as redes sociais são uma extensão da sociedade, não outra realidade. Caso contrário, linchamentos cibernéticos se perpetuarão.

Um grande exemplo disso é o reality show “Big Brother Brasil 21”, que apesar de ser considerado pela elite intelectual como alienação totalmente vazia, é um reflexo da sociedade. O programa não se limita apenas aos participantes dentro da casa, mas também à forma como os telespectadores reagem. Os participantes mais odiados chegaram a sofrer ameaças de morte, e o ódio se extendeu para as famílias. Inúmeras ofensas eram criminosas, carregadas de racismo e homofobia. Os internautas, cegos pelo ódio, se tornaram irracionais. Um ciclo vicioso, onde muitas vezes a cólera vem de pessoas que não sabem o que estão criticando, apenas seguindo o fluxo de agressividade em que estão imersas.

Além disso, devido a tal comportamento de manada, a internet é um local propício para o surgimento e a popularização de notícias falsas. O usuário padrão de redes sociais se alimenta de títulos chamativos e imagens sugestivas, ou seja, informação vazia que é repassada. Assim, o pensamento de massa é formado rapidamente. Um verdadeiro exemplo do estado de menoridade, conceito criado pelo filósofo Immanuel Kant, que caracteriza um indivíduo sem senso crítico e opiniões autorais, ou seja, sem liberdade, apenas um prazer por integrar a corrente de ódio, independentemente da vítima.

É possível concluir que é necessário estabelecer uma forma de lidar com a impunidade de ameaças e discursos de ódio online, pois eles são reais. As redes sociais em questão deveriam aumentar a efetividade do sistema de denúncias através de funcionários contratados exclusivamente para controlá-lo, analisar as denúncias dos usuários e banir perfis que apresentem discurso de ódio ou violação de outras regras da comunidade, visando tornar a convivência mais agradável.