A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 17/04/2021

A internet como panóptico contemporâneo

Foucault, filósofo francês, foi responsável pelo desenvolvimento do conceito do panóptico, estrutura localizada no centro de prisões cuja finalidade era permitir a vigilância de muitas celas por apenas um guarda, que devido ao projeto da construção, ficava furtivo. Entretanto, essa posição de vigia não deve ser associada apenas ao contexto do século XVIII, uma vez que a internet atua, em um de seus sentidos, de forma similar ao edifício carcerário ao passo que torna possível observar atividades de outras pessoas enquanto, de certa forma, protegido. Dada a sensação de segurança por estar detrás de telas que é derivada da desinformação sobre crimes virtuais, mostram-se presentes manifestações da violência digital, cujos alvos são aqueles que não seguem os padrões idealizados.

Em primeiro plano, é essencial analisar a padronização do comportamento humano nas redes sociais. Analogamente a um episódio de “Black Mirror”, no qual a sociedade é moldada por avaliações de perfis online e por isso era buscado agir da forma esperada socialmente, a internet propicia a criação de máscaras que escondem imperfeições da realidade, causando expectativas ilusórias e inalcançáveis, o que promove julgamento contra aqueles que usam as mesmas plataformas de maneira mais espontânea. Consequentemente, aliada à ideia de defesa que a distância transmite, existem ameaças e violências no cenário virtual, especialmente àqueles que não seguem seus padrões.

Por conseguinte, as vítimas do cyberbullying passam a enfrentar problemas psicológicos ainda fortalecidos pela sensação de impotência em relação a seus agressores. O século XXI, além de ser conhecido pelo desenvolvimento tecnológico, também é recordista em doenças mentais como a ansiedade e a depressão, que muitas vezes são oriundas do comportamento negativo nas redes sociais, visto que as vítimas se sentem negligenciadas ao não saber como procurar justiça. Assim, reforça-se a gravidade da desinformação acerca do código penal, tendo em mente que ela possibilita mais casos de transtornos psiquiátricos.

Por fim, pode-se concluir que a problemática em torno do cyberbullying que deriva da falsa ideia de que a internet é uma terra sem lei. A fim de reduzir as vítimas desse tipo de agressão, o Poder Legislativo deve propor um projeto que conscientize os membros das redes sociais sobre a criminalidade dessas atitudes e as especificações das leis através de publicações realizadas por desenhistas gráficos pagos com dinheiro público, reduzindo a sensação de segurança que motiva agressores a agir com conduta inadequada. Assim, a sociedade se distanciará do cenário distópico de “Black Mirror” e prevenirá problemas de saúde mental.