A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 26/04/2021

O que torna a internet vilã?

A sociabilidade moderna é resultado de práticas e avanços tecnológicos do passado. Foi através das guerras mundiais que a internet surgiu como uma ferramenta de comunicação à distancia e segura, todavia, hoje é um elemento central para a Globalização, assim como os atos de misoginia e racismo ainda são recorrentes na contemporaneidade.

A priori, a civilização humana da atualidade herdou dos conflitos belicosos diversas tecnologias com as funções mais variadas e, entre elas, a internet. Ao mesmo tempo em que os canais de comunicação virtual são capazes de conectar pessoas de diferentes culturas e tradições; também viabilizam a reprodução dos pré-conceitos da sociedade em ataques de ódio a pessoas pertencentes a grupos oprimidos - pessoas de etnia não branca ou do sexo feminino, entre outros. O meio virtual pode não inibir às pessoas a se organizarem em grupos extremistas ou a reproduzir ataques aos grupos oprimidos, uma vez que o patriarcado, o racismo e a lgbtfobia já perpassam diversas gerações anteriores, inclusive, as primeiras que tiveram acesso à internet. No Brasil, por exemplo, desde o período colonial o patriarcado permeia as estruturas do sistema de colonização, assim como a escravidão de africanos era permitida pela igreja católica, nessa mesma época, com a justificativa de serem os “descendentes de Cam” - um dos filhos de Noé, segundo a Biblia.

Com isso, a história determina as condições materiais do presente através do grau de desenvolvimento das capacidades produtivas que, por conseguinte, influencia nas relações sociais da atualidade. Segundo o Indice Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), negros e negras são 47% dos trabalhadores informais e segundo a mesma fonte, o desemprego entre as mulheres é quase 40% superior ao dos homens, ambos em 2020. Esse recorte histórico e da realidade material é uma síntese de que a sociabilidade na história contemporânea está conectada às estruturas de poder do sistema econômico vigente, o capitalismo, bem como do passado que condicionou as características do presente.

Dado o exposto, a internet torna-se vilã devido às relações de produção subordinadas ao passado e, por isso, crimes de ódio nos canais, redes e sites da internet. Logo, é necessário subverter a ordem do sistema de produção para formular políticas governamentais de combate à misoginia e ao racismo nos espaço de trabalho e virtuais, com participação popular, maior controle estatal sobre a internet e recursos vindos da tributação progressiva sobre as grandes heranças e fortunas.