A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 25/06/2021
Na série americana da plataforma online Netflix “13 reasons why” é contada a história da adolescente Hannah Baker, que comete suicídio após vários episódios de bullying na escola e online. Apesar de ficcional, o programa obteve sucesso ao promover discussões sobre vários problemas hodiernos que têm como cenário a internet, como os crimes de ódio e o próprio cyberbullyng, visto a inegabilidade desses comportamentos consistirem em um reflexo dos problemas existentes na sociedade, urgindo condutas resolutivas.
Destarte, é de suma importância a compreensão de que os crimes existentes no mundo virtual vão ao encontro daqueles que existem no mundo real. Além disso, ao proporcionar o anonimato, a internet permite que os indivíduos reproduzam violências cada vez maiores e mais danosas. Infelizmente, são comuns casos que envolvem infrações como a divulgação de dados confidenciais, vazamento de fotos íntimas, injúrias, racismo, homofobia e vários outros causadores de danos, por vezes, irreversíveis em suas vítimas, que precisam lidar com o medo, o descrédito e a impunidade, o que pode acarretar em várias consequências psicológicas e sociais.
Nesse sentido, não se pode deixar de notar que a impunidade é outro fator agravante no que se refere a problemática tratada. Assim, a dificuldade de encontrar e punir os infratores, juntamente com a falta de órgãos e profissionais especializados, bem como a falta de informações repassadas à sociedade sobre o proceder em relação a esses problemas, torna a internet uma vilã em potencial. Logo, mesmo após o governo brasileiro, na tentativa de mostrar que o mundo virtual não é terra sem lei, promulgar, em 2014, o Marco Civil da Internet, onde estão contidos os direitos e deveres dos usuários, permanece a necessidade de maiores providências que têm como objetivo conferir maior harmonia ao meio online.
Portanto, para a resolução do problema aqui tratado, pode-se ter em mente a afirmação do filósofo polonês do século XX Zigmunt Bauman: “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. Desse modo, são necessárias ações do Ministério da Cidadania, que por meio de verbas obtidas pelos impostos pagos pela população, trabalhe em prol do treinamento de profissionais especializados no lidar com a internet, com o intuito de encontrar e punir legalmente os infratores. Similarmente, o mesmo ministério, por meio dos mesmos recursos, deve divulgar as informações necessárias à população, em campanhas na internet, para que tenham ciência das medidas a serem tomadas em casos de crimes de ódio e bullying online, com a intenção de instruir a população. Só assim, educando, esclarecendo e efetivando as medidas citadas acima, coexistirão equilíbrio e respeito na internet.