A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 12/07/2021
Em um dos episódios da série Black Mirror, disponível na Netflix, a rede social é utilizada como forma de ascensão da popularidade de alguns indivíduos e da degradação moral de outros, desenvolvendo medo e angústia nos personagens. Fora da ficção, esse impasse tem ganhado destaque nos dias atuais, já que a prática de cyberbullying vem sendo decorrente no cotidiano brasileiro. Nesse contexto, tais ações são facilitadas pela dificuldade dos pais em monitorar as redes socias dos filhos e pelo despreparo emocional das crianças e dos jovens para lidarem com ameaças virtuais.
Em primeiro lugar, vale destacar que a falta de acompanhamento e de um diálogo aberto, por parte dos pais, sobre os perigos da internet contribuem para o aumento do número de crimes digitais. Sendo assim, de acordo com a pesquisa da Ipsus, o Brasil é o segundo país com maior índice de casos de bullying na internet. Dessa forma, fica evidente que, muitas vezes, devido à uma rotina familiar corrida, ocorre um afastamento entre pais e filhos, fazendo com que os responsáveis não acompanhem como os jovens agem na rede, quem são seus amigos e os conteúdos que acessam. Com isso, assuntos importantes a serem discutidos como a preservação de dados, alertas que não se deve confiar em todas as informações que são encontradas na rede, além da falta de verificação de interações e compartilhamentos em redes socias, pela família, revelam que a mesma não dá a devida relevância à estas questões.
Ademais, deve-se ressaltar que a propagação de fofocas e calúnias têm se tornado cada vez mais comuns no meio virtual, comprometendo a saúde mental de crianças e adolescentes. A respeito disso, segundo o relatório divulgado pelo Instituto DQ (Digital Intelligent Quotient), 56% das crianças entre 8 e 12 anos estão expostas a crimes cibernéticos. Desse modo, sentir-se sistematicamente intimidado, humilhado ou até ameaçado, pode provocar distúrbios comportamentais e emocionais que prejudicarão a vida escolar e a pessoal da vítima. Dessa maneira, fica claro que as crianças são iniciadas cedo demais no ambiente virtual para entenderem ao que estão sujeitas estando em contato com ele. Logo, medidas solúveis são imprescindíveis para resolver esse impasse.