A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 31/07/2021

Segundo o filósofo Friedrich Hegel, o Estado deve proteger os seus “filhos”. Tal ideia, no entanto, encontra barreiras para ser efetivada, sobretudo, no Brasil, em que crimes de ódio e cyberbullying na internet vêm se tornando cada vez mais comuns. Logo, se torna imprescindível não só que a impunidade desses crimes acabem como também que as pessoas sejam conscientizadas.

Nessa lógica, observa-se, primeiramente, que a ausência de punição adequada configura uma das causas do problema. De acordo com a empresa Symantec, fabricante de softwares de segurança, cerca de 80% dos usuários de internet no Brasil não acreditam que os autores de crimes cibernéticos serão levados à Justiça. Por conseguinte, cria-se essa noção de que a internet é uma terra sem lei, pensamento esse que não irá mudar enquanto as fiscalizações desses crimes não aumentarem.

Vale ressaltar, também, que os veículos de comunicação em massa, como formadores de opiniões, são responsáveis pela persistência do problema. Para o sociólogo Pierre Bourdieu, o que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Nessa perspectiva, a omissão da mídia na questão de informar os cidadãos sobre as leis vigentes também na internet, pode ser compreendida como a opressão simbólica que Pierre se referia.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de reverter o cenário atual. Para isso, compete ao governo aumentar as fiscalizações e julgamentos dos crimes virtuais, bem como criar campanhas de conscientização. Essas ações devem ser feitas por meio de parcerias, com o Ministério da Justiça e com os principais veículos de comunicação, respectivamente, uma vez que as campanhas iriam ser transmitidas pelos veículos, com o objetivo de atingir o maior número possível de pessoas. Dessa forma, o Estado poderá, finalmente, proteger os seus filhos, assim como propôs Hegel.