A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 01/09/2021
É inegável o fato de que a internet trouxe incontáveis frutos positivos à sociedade contemporânea, como por exemplo, facilitar o acesso à informação e conectar pessoas do mundo inteiro. Em contrapartida, a propagação de mensagens de ódio e a prática do cyberbullying têm sido cada vez mais notáveis nesse âmbito virtual. Tendo isso em vista, é necessário dizer que a existência desses crimes deve ser imediatamente combatida, posto que suas implicações psicológicas podem ser irreparáveis e seus efeitos na próxima geração podem ser terríveis.
Primeiramente, é cabível mencionar que, segundo o filósofo Sigmund Freud, a psique humana possui um efeito acumulativo, logo os abalos psicológicos são indeléveis ao subconsciente dos indivíduos. Sob essa ótica, é mister dizer quão perigosas são as mensagens que propagam ódio na internet, visto que elas têm o poder de afetar definitivamente a saúde mental dos cidadãos que a recebem. Ademais, considerando que o Brasil é um dos países mais depressivos do mundo (conforme a Organização Mundial da Saúde), pode-se reparar que é essencial que entidades federais tomem providências nesse tocante, a fim de evitar que o país chegue a condições piores do que as já existentes.
Outrossim, de acordo como sóciologo Émilhe Durkheim, durante a infância e adolescência, os jovens absorvem irracionalmente valores que, por sua vez, serão a base de suas ações. Nessa lógica, acrescentando o fato de que essa incorporação de fundamentos se dá principalmente pela observação, é viável destacar que a existência desses crimes na internet - ambiente em que os jovens estão cada vez mais conectados -, pode ter uma terrível consequência na socialização primária da nova geração, dado que essa propagação de ódio, caso seja vista com frequência, passa a fazer parte do processo descrito por Durkheim. Por conseguinte, forma-se uma gama de jovens estruturados sob princípios que normalizam práticas de violência virtuais, o que é confirmado por uma pesquisa realizada online pelo Facebook, em que 90% das vítimas desses atos, bem como seus agressores, possuem até 18 anos.
Dessa maneira, faz-se inevitável a tomada de atitudes por parte das entidades federais para com as questões relacionadas aos diferentes de crimes que persistem nas redes sociais, porquanto a internet, que trouxe inúmeros benefícios aos seres humanos, passou a atuar como vilã. Com efeito, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio de anúncios feitos nos horários nobres da televisão, promova uma conscientização dos brasileiros de que esses ataques virtuais possuem diversas consequências negativas, tais como as supracitadas, e têm previsões de penalidades pelo Código Penal. Assim, diminuirá a ocorrência desses crimes, seja pelo medo dos cidadãos em serem punidos pela lei, seja pela consciência dos indivíduos de que esses atos são problemáticos.