A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 07/09/2021

A série mexicana “Control Z”, exibida pela plataforma de streaming Netflix, discorre sobre o ataque hacker aos alunos de uma escola. Na fição, o agressor fomenta o cyberbullying entre os próprios estudantes, criando um ambiente tenso e hostil dentro da sala de aula. Na vida real, o mau uso da internet está relacionado com os crimes de ódio e o cyberbullying. Nesse sentido, o ato de não denunciar essa prática traz à tona os crimes digitais, como a calúnia, a difamação e a divulgação de materiais confidencias.

Primeiramente, é imprescindível salientar que o fato de não denunciar o agente promotor de cyberbullying é corriqueiro. Isso ocorre porque a pessoa violentada digitalmente sente o medo de uma iminente retaliação, ademais, o horizonte digital confere anonimato ao criminoso, o que posterga o processo de denúncia. No Brasil, mesmo a Constituição Federal de 1988 assegurando o direito à segurança, isso não ocorre na prática, uma vez que o âmbito digital é extremamente complexo. Dessa maneira, a omissão é um obstáculo grande que reafirma a ocorrência de crimes de ódio e de bullying nas redes.

Além disso, é oportuno comentar que crimes de calúnia, difamação e divulgação de materias confidenciais são comuns na esfera online. Isso acontece devido à facilidade de obter informações e materiais intímos das pessoas nas redes sociais. Observa-se, por consequência, a exposição indevida dos internautas que pode suscitar problemas psicológicos. Sob essa perspectiva, nota-se que a falta de manejo para o crime digital e o cyberbullying corroboram o mau uso da internet.

Depreende-se, portanto, que uma medida seja encontrada para mitigar os problemas supracitados. Sendo assim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), órgão responsável pela formulação e implementação da política nacional de ciência e tecnologia, deverá elaborar e disseminar materias educativos e podcasts sobre como identificar e evitar o cyberbullying, ademais, aplicativos para os pais acompanharem os filhos na internet deverão ser criados e disponibilizados para a sociedade. Isso poderá ser feito por meio das escolas, da internet e com os pais. Espera-se, com isso, o empoderamento das vítimas para denunciar o criminoso e consequentemente minimizar os crimes de ódio e o bullying nas redes sociais, de modo que nenhum hacker ou cidadão mau intencionado torne a internet um ambiente desagradável.