A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 22/09/2021

No documentário “O dilema das redes” é exibido uma jovem que ao postar sua foto no Instagram, tem seus comentários lotados de críticas sobre sua aparência, o que a deixa extremamente abalada. Analogamente, no Brasil atual essas críticas têm constantemente aumentado nas redes sociais, caracterizando o cyberbullying. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude da má influência midiática e do silenciamento do óbice.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a influência negativa da mídia presente na questão. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, devido à disseminação da “cultura do cancelamento” entre os jovens nas redes sociais, tornou-se mais comum a distribuição de ódio na internet após ver outros usuários atacando pessoas, principalmente famosos. Assim, pode-se observar que a mídia, em vez de promover estratégias para combater o cyberbullying, influencia na consolidação do problema.

Além disso, cabe ressaltar que o silenciamento é um forte empecilho para a resolução do problema. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, como a problemática não tem sido amplamente discutida, as vítimas do cyberbullying não conhecem os meios para buscar apoio e denunciar tais agressores, fazendo com que, o termo de “terra sem lei” atribuído a internet, se torne realidade. Logo, sem o diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é impedida.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática. Dessa maneira, cabe ao Ministério Público-responsável pela defesa dos interesses da sociedade-, por intermédio da criação de canais de ouvidoria gratuitos online, juntar denúncias de vítimas que sofrem com o cyberbullying, a fim de que essas vítimas encontrem amparo e exponham os devidos responsáveis por tais crimes, para serem julgados conforme a lei. Outrossim, cabe a mídia, promover campanhas informativas sobre crimes virtuais, como identificá-lo e divulgar canais para denúncias, a fim de mitigar o silenciamento da problemática. Somente assim será possível reverter o quadro e, ademais, garantir que o problema retratado em “dilema das redes’’, não se propague na sociedade brasileira.