A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 26/09/2021
Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse sentido, uma geração guiada pelo o auxílio da tecnologia desenvolveu uma grande proximidade em que pessoas se sentem no direito de expressar ódio com justificativa de opinião, devido a falta de punição. Dessa forma, destaca-se a necessidade de debater sobre o papel da internet na população.
Em primeiro lugar, é cabível destacar o impacto da conexão global na sociedade. A fim de aprofundar as relações econômicas e culturais, a globalização, com ajuda da internet, fez com que processos locais se tornassem mundiais, gerando uma “grande família”. Com isso, a proximidade dos indivíduos foi intensificada, mas o bullying também, estando presente não só presencialmente, mas nos meios de comunicação. Logo, pessoas começaram a usar incorretamente a internet ao se darem permissão de exporem, deliberadamente, pensamentos negativos como nos famosos cancelamentos, em que pessoas são intensamente julgadas e xingadas por opiniões divergentes ou ações incorretas. Assim, demonstrando um paradoxo, já que a internet que deveria ser uma rede de apoio e aprendizado acabou sendo uma plataforma de julgamento.
Ademais, é relevante destacar o impacto do individualismo na sociedade. Segundo Bauman, sociólogo polonês, a modernidade é o momento em que a autonomia do homem ganha destaque em relação à vida social. Em consequência, houve a ascensão do individualismo, que resultou na inércia frente a lutas sociais. O ódio em massa tem se tornado cada vez mais comum na sociedade, em que até mesmo pequenas discórdias viram motivo para xingamentos e brigas, esse cenário foi intensamente ampliado no ciberespaço já que as consequências para os atacantes são mínimas. Desse modo, a falta de punições para esses agressores na internet dá continuidade a um ciclo vicioso, visto que há a normalização desse cenário.
Torna-se, portanto, perceptível por análises de fatores sociais, a urgência de mudanças de valores. Nessa conjuntura, cabe ao Ministério Público, órgão responsável pela defesa da ordem jurídica e pelas garantias constitucionais, promover a parir de escolas, com auxílio de psicólogos, aulas de conscientização e comportamento nos meios de comunicação, de modo que construa crianças mais íntegras para lidarem com a internet. Também, é importante intensificar as punições para esses agressores verbais, que ao propagar a importância das denúncias de comentários ofensivos os profissionais capacitados poderão fazer um trabalho mais árduo. As redes sociais são muito amplas, mas devem seguir de acordo com a Constituição e não afetar o próximo negativamente.