A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 05/11/2021
De acordo com o historiador Cláudio Vicentino, a formação etnográfica brasileira é marcada por uma intensa desigualdade entre as pessoas. Além disso, a violência social também faz parte dessa história. Nesse sentido, as minorias foram, e são, alvos de preconceito e de intolerância. Atualmente, observa-se a utilização da internet como ferramenta para a prática de crime de ódio e de cyberbullying, prioritariamente entre os estudantes do ensino médio. Assim, é importante analisar a agressão virtual feita pelas redes e o adoecimento mental das vítimas de violência digital.
Diante desse cenário, nota-se a constante atuação de indivíduos utilizando-se da internet para o cometimento de delito. De acordo com dados da revista Carta Capital, o crime contra a honra sofrido por jovem, registrado na Delegacia de Delitos Eletrônicos em São Paulo, aumentou em 40%. Assim, observa-se uma perpetuação do comportamento intransigente em relação ao outro. Isso se dá pela falta de empatia nas relações humanas, bem como pela ausência da intervenção do Estado. Dessa feita, denota-se que esse não oferece mecanismo de segurança eficiente para combater tal problema. Logo, essa situação é inaceitável, pois a manutenção da segurança social compete ao governo.
Além disso, inegavelmente, identifica-se o acometimento da saúde da vítima de crime digital. Segundo o Ministério da Saúde, o uso de psicotrópicos entre os adolescentes que sofreram bullying digital tem sido recorrente. Tais medicações atuam mediando a ação da endorfina no cérebro, o hormônio do humor. Dessa forma, o cyberbulling afeta negativamente o jovem, além de comprometer o seu rendimento escolar. Nesse viés, é necessária a atuação da União para a solução de tal problemática, uma vez que é seu dever constitucional garantir a saúde das crianças e dos adolescentes.
Por tudo isso, o Ministério da Educação, órgão nacional que o orienta o ensino no país, deve implementar parcerias com os estados e os municípios. Tal ação será feita por meio de incentivo financeiro que promova a capacitação do corpo docente e do corpo discente. Essa qualificação deverá orientar o profissional da educação para identificar os casos de cyberbulling entre os alunos, como curso de extensão ministrado por psicólogo. Ademais, produzir círculo de debate sobre o tema entre os discentes e divulgar os canais de atendimento da polícia, para possíveis denúncias. Além disso, o Poder Legislativo deve intensificar a penalidade para os crimes digitais. Espera-se, com isso, diminuir a prática de crime de ódio pela internet, promover empatia entre as pessoas e melhorar a qualidade de vida do jovem brasileiro.