A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 12/11/2021

Na série  da Netflix “Sex Education” uma das aunas do colégio Moordale tem fotos íntimas, sem mostrar o rosto, vazadas e zombadas, por conta disso, em um ato de sororidade todas as outras estudantes levantam em um auditório, assumindo a identidade da fotografia. Contudo, nem sempre é essa a realidade de muitos jovens que sofrem com ódio e cyberbullyng na rede. Nesse sentido, há duas problemáticas: o casos crescentes de doenças mentais entre crianças e adolescentes decorrentes de lichamentos virtuais e o avanço do machismo sobre as meninas que utilizam a rede.

Em primeira análise, o público feminino sofre muito com misoginia online, chamada de “Gamergate”, em que mulheres da indústria de jogos sofriam ataques na internet, sendo descredibilizadas e até ameaçadas de morte. Isso ocorre pois, atrás de uma tela de celular ou computador os indíviduos acreditam estarem isentos de leis, e agem como bem entendem, sem empatia e sem diálogo. Com isso, há um crescimento do movimento feminista, e da união feminina, propagado amplamente em âmbito virtual para impedir a disseminação de preconceito de gênero. Desse modo, de acordo com a atriz e embaixadora da ONU mulheres, Emma Watson, o feminismo é dar escolhas às mulheres, além de liberdade e igualdade, e é importate que isso ocorra online ou offline.

Além disso, o ódio e o cyberbullyng podem acarretar em doenças psicológicas entre os jovens, com a pressão das redes sociais, e a política de cancelamento - na qual um sujeito recebe linchamento virtual por conta de algum erro cometido e postado-, os indivíduos em desenvolvimento de personalidade e caráter podem ser muito afetados . Efeito disso, é a atual geração ser depressiva, ansiosa e com dificuldade de expressar os sentimentos, tudo isso, por conta dessa superexposição digital e da falta de empatia dos internautas, os quais destilam ódio nas mídias sociais. Assim, já dizia o filósofo sul coreano  Byung Chul-Han que a sociedade atual é cansada e multitarefa, em que há a busca por uma felicidade inalcançável e um positivismo tóxico, muito propagado em plataformas como Instagram e Facebook, o que contribui para o cenário de ódio na web, pois frustrados os usuários das redes protegidos por um certo anonimato, acabam manifestando suas ideias, mesmo que ofensivas.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar a propagação odiosa no ciberespaço. Dessa maneira é primordial que o Ministério das Comunicações, em parceria com a Receita Federal, destine parte dos impostos arrecadados no desenvolvimento de sites, nos quais a vítima de crimes na net poderá conversar com profissionais de saúde e denunciar o ocorrido, para seja evitada a disseminação de violência na internet. Só assim, a sociedade será mais empática e coletivista, e ações como a das alunas da série televisiva serão recorrentes,  o que contribuem para um ambiente online saudável.