A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 23/04/2022
A teoria política alemã, Hannah Arendt, utiliza a expressão “Banalidade do Mal”para traduzir o formato trivial de instalação de problemáticas em sociedades contemporâneas. Essa perspectiva, analisada pela pensadora, simboliza claramente o comportamento da sociedade diante da prática de bullying e ciberbullying na sociedade brasileira, já que é justamente a habitualidade frente à questão que agrava e a aprofunda no corpo social brasileiro. Nesse sentido, torna-se claro que essa situação tem como origem inegável não só os padrões que a sociedade impõe, como também a forma em que as redes sociais são utilizadas.
É relevante, abordar em primeira análise que, os empecilhos em relação a essa prática criminosa é uma das razões pela qual o problema persiste. Acerca disso, o filósofo Leandro Karnal disse que “ o mal da cultura é transformar em normal aquilo que não é”. Sob esse aspecto, é possível perceber que o pensamento do autor se faz presente nos dias hodiernos, uma vez que, as pessoas formulam padrões sociais em qual se devem ter o respeito, e caso alguém não se encaixe em tal padrão, infelizmente vira um alvo do bullying.
É oportuno, ainda, destacar a utilização das redes sociais e seu efeito na questão. Como afirmou Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de papel”, a legislação brasileira é ineficaz, visto que, embora aparenta ser completa na teoria, muitas vezes, não se concretiza na prática. Gerando assim, um uso sem consciência por parte dos utilizadores, uma vez que, ferem os direitos humanos e as leis. Desse modo, enquanto não houver mudanças desse cenário, uma parcela da população ficará a margem dos problemas.
Depreende-se, portanto, a urgência de novas medidas para reverter o impasse no Brasil. Para isso o Governo, principal responsável pelo controle das leis deve emitir um aviso legal sobre o cumprimento das mesmas. Isso deve ocorrer por meio de propagandas ou palestras, a fim de garantir que os pensamentos da população mudem, que cada um possa respeitar uns aos outros tanto no dia a dia, como nas plataformas digitais, caso ocorra algum descumprimento perante a lei, o cidadão terá que responder pela a sua atitude. Dessa maneira, será possível que o problema seja gradativamente minimizado no País.