A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 01/08/2022

O episódio “Odiados pela Nação”, da série Black Mirror, conta a história de vários jovens que aparecem mortos ao fim do dia após sofrerem crimes de ódio e cyberbullying nas redes sociais. De maneira análoga, no contexto hodierno, a internet, quando não usada da maneira correta, torna-se uma vilã, e assim como na série, atua como meio para que ofensas digitais sejam disseminadas. Isso acontece não só devido ao sentimento de impunidade que o anonimato oferece aos agressores como também por causa da negligência familiar.

Em primeira análise, vale mencionar que o fato de as pessoas acreditarem que a internet é uma terra sem leis aumenta os casos de delitos digitais. Nessa perspectiva, embora exista a Lei do Marco Civil, que garante os direitos e deveres dos usuários da rede, uma pesquisa realizada pelo Ipsos, em 2018, aponta que o Brasil é o segundo país no ranking mundial de cyberbullying. Ou seja, ainda há uma ineficácia no cumprimento desse regulamento, a qual potencializa as infrações criminais na área virtual. Desse modo, os indíviduos, com a crença de que não serão responsabilizados pelos seus atos, utilizam do anonimato para cometê-los.

Ademais, a falta de monitoramento dos pais nas atividades virtuais de seus filhos torna o ambiente favorável para as práticas de cyberbullying e ataques odiosos. Nesse sentido, o termo “abandono digital”, cunhado pela advogada Patrícia Peck, é a negligência parental configurada por descuido da segurança infantil no espaço cibernético, uma vez que a web é a rua da sociedade atual. Ou seja, é necessário um controle assíduo da vida das crianças e dos adolescentes nessa área com o intuito de evitar a formação tanto dos agressores, quanto das vítimas.

Infere-se, portanto, a necessidade de combater integralmente as violências causadas no espaço virtual. Dessa forma, é preciso que o Ministério e as Secretárias de Educação promovam eventos gratuitos no ambiente escolar, para professores, alunos e seus responsáveis, que divulguem todas as consequências do cyberbullying - tanto para quem o pratica, quanto para quem o sofre - a fim de conscientizar os pais de monitorar as atividades de seus filhos e os próprios alunos a não agirem de tal forma. Por conseguinte, cenas como as do episódio ‘Odiados pela Nação", da série Black Mirror, não serão mais frequentes na conjuntura atual.