A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 23/04/2023
O quadro expressionista “O grito”, do pintor norueguês Edvard Munch, retrata a inquietude, o medo e a desesperança refletidos no semblante de um personagem envolto por uma atmosfera de profunda desolação. Para além da obra, observa-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de milhares de indivíduos assolados pelos crimes de ódio e cyberbullying na rede é, com frequência, semelhante ao ilustrado pelo artista. Nesse viés, torna-se crucial analisar as principais causas desse revés, dentre as quais se destacam a negligência governamental e a falha na educação.
A princípio, é imperioso notar que a indiligência do Estado potencializa a internet como vilã. Esse contexto de inoperância das esferas de poder exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, do sociólogo Zygmunt Bauman, que as descrevem como presentes na sociedade, todavia, sem cumprirem sua função social com eficácia. Sob essa ótica, devido à baixa atuação das autoridades, usuários de rede não têm consequências ao agir de modo criminoso, o que estimula o cyberbullying. Nessa perspectiva, para a completa refutação da teoria do estudioso e mudança dessa realidade, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.
Outrossim, é igualmente importante apontar a falha na educação brasileira como outro fator que contribui para crimes de ódio e cyberbullying na rede. Posto isso, de acordo com Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Diante de tal exposto, percebe-se que o ensino é um forte aliado contra a vilania da internet, entretanto, sua força tem sido negligenciada, o que também exemplifica a teoria das Instituições Zumbis" e fere o bem-estar social. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar os crimes de ódio e cyberbullying na rede. Dessarte, a fim de reparar a vilania da internet, é preciso que o Estado, por intermédio de instituições públicas de ensino, eduque a população mais jovem do país acerca da importância do respeito, e das consequências dos crimes de ódio, de forma a desestimular o cyberbullying. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas ao plano artístico.