A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 17/10/2023

A série norte americana “13 Reasons Why” retrata a vida de Hannah Baker, uma adolescente que sofre cyberbullying pelos colegas e, como consequência, comete suicídio. Fora dos tablados ficcionais, a ocorrência de bullying no meio virtual é, infelizmente, uma realidade no cenário brasileiro e mundial. Desse modo, é imprescindível analisar o lado negativo da internet na atualidade e a consolidação de preconceitos na esfera global.

Diante desse cenário, o surgimento da Revolução Técnico-Científica-Informacional promoveu a consolidação do uso das tecnologias no cotidiano das pessoas. Com base nesse viés, é necessário pontuar o crescente acesso à internet a às redes sociais como um fator determinante no crescimento de casos de cyberbullying no país. Dessa maneira, de acordo com o geógrafo brasileiro Milton Santos, a globalização pode ser considerada uma fábula, pois não trouxe benefícios de forma equânime na sociedade. Destarte, a crescente utilização de plataformas digitais na contemporaneidade corroborou o aumento de casos de crime de ódio e cyberbullying, tal pode ser comprovado pelo dado disponibilizado pelo IBGE, o qual afirma que um a cada dez estudantes já foi ofendido nas redes.

Ademais, o anonimato promovido pela utilização do meio virtual contribui na consolidação de preconceitos já existentes na sociedade, porque torna mais difícil a identificação de agressores e responsabilizá-los pelas suas ações. Nessa perspectiva, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, a teoria do “Habitus” consiste na exteriorização da interiorização de costumes enraizados no meio social, o qual promove a continuidade de preconceitos. Com isso, as redes sociais são o cenário ideal para a consolidação de casos de bullying ligados a questões de raça, gênero, orientação sexual, aparência e religião.

Portanto, medidas são necessárias. Cabe ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania promover a diminuição de casos de cyberbullying, por meio da criação de um projeto nacional, o qual promova a capacitação de profissionais da educação, psicólogos e familiares para identificarem casos de bullying e designar o tratamento educacional e psíquico adequado para o agressor e a vítima. Tudo isso com o objetivo de garantir o direito á dignidade no meio virtual.