A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 07/08/2025
No filme O Círculo (2017), a protagonista vive em um mundo onde a tecnologia domina todas as esferas da vida, revelando como o ambiente digital pode facilmen-
te se tornar opressor e hostil. Fora da ficção, a realidade virtual também tem expos-
to seu lado sombrio, sendo palco de crimes de ódio e práticas de cyberbullying que afetam principalmente jovens e minorias. Nesse contexto, é necessário discutir medidas que promovam um ambiente digital mais seguro e ético.
Em primeiro plano, a deficiência na formação ética e crítica dos usuários da internet contribui para a banalização de práticas ofensivas nas redes. Para Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é “líquida”, marcada por relações frágeis e imediatistas, o que favorece comportamentos desumanizados, sobretudo em am-
bientes virtuais onde o outro é reduzido a um avatar. Nesse cenário, ofensas e ataques se tornam frequentes, especialmente entre jovens, como mostram os crescentes casos de cyberbullying no ambiente escolar.
Além disso, a impunidade e a lentidão do sistema judiciário brasileiro diante de crimes virtuais intensificam o problema. Como afirmou o filósofo Montesquieu, “a injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.” Nesse sentido, quando os crimes de ódio na internet não são investigados e punidos com a devida serieda-
de, cria-se um ambiente permissivo à violência simbólica. Apesar de existirem leis como o Marco Civil da Internet, que trata do combate à intimidação sistemática,
sua aplicação ainda é limitada, o que evidencia a urgência de políticas públicas mais eficazes na proteção das vítimas e responsabilização dos agressores.
Portanto, é imperativo combater os crimes de ódio e o cyberbullying no ambiente digital por meio de uma ação conjunta entre Estado, escola e sociedade. Cabe ao Ministério da Educação implementar nas escolas programas de educação digital ética, promovendo debates e oficinas sobre uso responsável da internet e empatia virtual. Simultaneamente, o Poder Judiciário deve investir na criação de delegacias especializadas em crimes cibernéticos, com equipes capacitadas para investigar e punir agressores de forma ágil. Assim, a internet poderá, de fato, cumprir seu papel de conectar, informar e incluir — e não de ferir e excluir.