A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 08/08/2025
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista acreditando em um Brasil utópico. Entretando, o descaso com os crimes de ódio e cyberbullying na rede torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pelos aspectos socioculturais, seja pelo silenciamento social, o problema permanece silenciosa- mente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Diante disso, cabe salientar que os aspectos socioculturais reforçam de forma in- tensiva a internet como vilã. Nessa lógica, pode-se citar o sociólogo francês, Émile Durkheim, que afirma que o homem, mais do que um formador da sociedade, é um produto dela. De fato, a ação do indivíduo referente às consequências que a in- ternet gera na vida social resulta de um pensamento coletivo errônio, visto que as pessoas estão disseminando ódio e cometendo crimes como o cyberbullying levan-do transtornos psicológicos às vítimas. Assim, urge que a base sociocultural seja re- vista para que o comportamento do indivíduo contemporâneo mude.
Além disso, nota-se portanto, que o silenciamento social é causa dessa problemá-tica. A respeito disso, Martha Medeiros - cronista brasileira - teceu uma crítica soci-al quando afirmou que “silenciamos tudo aquilo que não queremos que venha à to tona”. Sobre isso, pode-se inferir em relação à falta de debate político sobre os cri-mes na internet que o poder público não dá a devida atenção ao problema para que seja preciso lidar com os pormenores desse entrave. Sendo assim, sem o papel educacional do Estado, a sociedade não possui conhecimento sobre o assunto e, dessa forma fica impedida de desempenhar um papel atuante e auxiliar o poder público na busca por soluções.
É urgente, portanto, que medidas sejam tomadas para o combate desses crimes. Dessa maneira, é dever da mídia - grande difusora de informação e principal veícu-
lo formador de opinião - discutir formas de reduzir os comentários de ódio e o cy-
berbullying postados por pessoas nas redes sociais, por meio de documentários, de de novelas, e de reportagens os quais retratem de maneira fidedigna a serieda-de do óbice, reduzindo o silêncio e o esteriótipo sobre o assunto. Notar-se-á, por-tanto, uma melhora no cenário nacional, aproximando-o do ideário por Policarpo.