A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 07/08/2025

A série de ficção cientifica Black Mirror, em diversos de seus episódios critica a de-pendência tecnológica e suas consequências na vida social. No entanto, em um de seus episódios, “Odiados pela Nação”, nos mostra um mundo onde as pessoas po-dem votar para que outras sejam mortas por drones após se tornarem alvos de campanhas de ódio online. Na atualidade, essa ficção se distancia da realidade ape-nas pela ausência dos drones. A cultura do canceelamento, as perseguições virtuais e o discurso de ódio contra minorias revelam que a internet, por vezes, se transfor-ma em uma espécie de tribunal popular e implacável, onde a senteça é o lincha-mento virtual, com profundos impactos na vida real das vítimas.

Em primeiro lugar, a cultura do cancelamento ignora o profundo impacto psicoló-gico nas vítimas, banalizando o cyberbullying. O alvo de um cancelamento não so-fre apenas com a perda de reputação, mas com uma pressão psicológica, que pode levar a ansiedade, depressão e, em casos extremos, ao suicídio. Segundo uma pes-quisa da Fundação Getúlio Vargas, 64% dos jovens brasileiros entre 15 e 29 anos afirmam já terem sido vítimas de cyberbullying ou conhecem alguém que foi. Essa realidade mostra que o cancelamento tem efeito devastadores na vida das vítimas.

Em segundo lugar, uma outra face do ódio online é o racismo, onde usam a inter-net para disseminar intolerância contra minorias. O anonimato permite que o racis-mo ganhe escala global, criando um ambiente hostil. Um levantamento do Obser-vatório de Racismo no Futebol aponta que as mensagens racistas contra jogadores negros nas redes sociais aumentaram mais de 500% durante grandes campeona-tos. Esse fenômeno demonstra que o racismo online é uma forma de violência que busca silenciar e excluir pessoas negras.

É imprescindível por fim que o Governo Federal, em parceria com o Legislativo, fortaleça a legislação e a regulamentação das plataformas. Isso deve ser feito com a aprovação de leis que criminalizem o discurso de ódio e o cyberbullying com mai-or rigidez, e a criação de um órgão regulador. Para que os agressores possam ser punidos eficazmente, desincentivando a prática e garantindo um ambiente digital mais seguro para todos. A mudança, assim, se faz necessária para que a internet seja um espaço de conexão e não de conflito.