A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 07/08/2025
A série “13 Reasons why” ilustra a história de Hannah Baker, uma adolescente que comete suicídio após sofrer diversas formas de violência, incluindo humilha-
ções públicas e ataques virtuais. Fora da ficção, a obra encontra ecos no cénario brasileiro uma vez que mostra como a internet pode se tornar um ambiente hostil e perigoso, especialmente para os jovens. Assim, observa-se a necessidade de discutir os alicerces que sustentam os crimes de ódio e cyberbullying na rede, com foco na reprodução de comportamentos e a ausência de identificação clara.
À vista desse cenário, a reprodução de comportamentos é responsável pela conti-
nuidade do problema no contexto atual. A esse respeito, o ilustre antropólogo Gustave Le Bon afirma que indivíduos, em multidões, tendem a perder a autono-
mia crítica e a agir por imitação. Tal fenômeno se reflete fortemente no âmbito
digital, revelando comportamentos tóxicos, como o cyberbullying e o linchamento virtual, nos quais muitos atacam apenas seguindo o padrão coletivo. Compreende—se, portanto, que, a fim de sanar tal realidade, é necessário desconstruir a incerte-
za normativa.
Ademais, é nítido que a ausência de identificação clara representa um impasse para resolver a temática. Nesse contexto, segundo o filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é marcada por identidades instáveis e passa-
geiras. Essa fluidez dificulta o reconhecimento do “outro” e a assunção de respon-
sabilidades, favorecendo o anonimato e a desumanização. Ainda que existam leis voltadas à regulação do comportamento nas redes, a falta de identificação precisa dos autores compromete sua efetividade, contribuindo para a sensação de impuni-
dade.
Diante dos argumentos apresentados, é necessário combater os crimes de ódio e o cyberbullying na rede. Para isso, o poder público deve investir em tecnologias que permitam identificar com precisão os responsáveis por atos virtuais, garantindo a aplicação das leis. Paralelamente, as escolas precisam promover ações educativas que incentivem a empatia e o pensamento crítico, enquanto campanhas de conscientização, realizadas nas redes sociais, informem sobre os impactos desses comportamentos, visando reduzir sua reprodução.