A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 07/08/2025

Com o avanço das tecnologias e a crescente digitalização das relações sociais, a internet passou a ocupar papel central na vida contemporânea. No entanto, embo- ra traga inúmeros benefícios, esse espaço virtual também se tornou palco para práticas nocivas, como os crimes de ódio e o cyberbullying. A aparente liberdade de expressão somada ao anonimato e à falta de regulação eficaz contribui para a per- petuação de discursos violentos e ataques virtuais. Nesse contexto, é necessário refletir sobre os impactos dessas práticas e os desafios para enfrentá-las na socie- dade atual.

Em primeiro lugar, o ambiente digital potencializa comportamentos hostis que antes ficavam restritos a ambientes físicos. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, o mal pode se tornar banal quando é normalizado no cotidiano — e isso se observa nas redes sociais, onde discursos de ódio se multiplicam sem grandes con- sequências imediatas para os agressores. Essa “banalização do mal” contribui para que práticas como racismo, misoginia e homofobia sejam disseminadas, afetando profundamente a saúde mental das vítimas. A impunidade, somada à viralização de conteúdos ofensivos, transforma a internet em um território fértil para a intolerân-cia e a violência simbólica.

Além disso, o cyberbullying, prática de humilhação e agressão verbal online, a- tinge principalmente adolescentes e jovens, gerando traumas psicológicos que po- dem perdurar por toda a vida. Um exemplo que evidencia a gravidade do problema é o documentário The Social Dilemma (2020), que mostra como algoritmos das re- des sociais incentivam o engajamento por meio de emoções negativas, favorecen- do a exposição e a perseguição de indivíduos. Ao invés de promover conexões sau- dáveis, muitas muitas plataformas acabam reforçando comportamentos tóxicos pa ra manter usuários ativos alimentando um ciclo de violência emocional e exclusão.

É necessário que o Governo federal, por meio do Ministério da Justiça e Segu- rança Pública, desenvolva uma campanha nacional de conscientização e combate à violência digital, veiculada em escolas, redes sociais e meios de comunicação de massa. Essa campanha deve informar a população sobre os efeitos do cyberbully- ing e dos discursos de ódio.