A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 07/08/2025
No contexto da sociedade globalizada, a internet transformou-se em uma ferramenta indispensável para comunicação, educação e entretenimento. Entretanto, a mesma estrutura que aproxima indivíduos também potencializa práticas nocivas, como crimes de ódio e o cyberbullying. Essa realidade, marcada pelo anonimato e pela rápida disseminação de conteúdos, evidencia a urgência de medidas que mitiguem os impactos negativos do ambiente virtual.
O escritor George Orwell, em sua obra 1984, retrata um ambiente de vigilância constante e manipulação da informação, revelando como a tecnologia pode ser usada para controlar e afetar a vida das pessoas. No universo digital contemporâneo, embora a vigilância exista, ela muitas vezes não impede que indivíduos se escondam sob perfis falsos para propagar discursos de ódio e humilhar outros usuários. Um caso emblemático ocorreu com a atriz Daisy Ridley, da saga Star Wars, que deixou temporariamente as redes sociais após sofrer ataques virtuais massivos, mostrando como o cyberbullying ultrapassa fronteiras e afeta até figuras públicas de grande alcance.
Ainda que existam legislações, como a Lei nº 14.132/2021 — que tipifica o crime de perseguição, incluindo o assédio virtual —, a aplicação dessas normas enfrenta obstáculos. A dificuldade em identificar autores de crimes digitais e a ausência de educação midiática nas escolas fragilizam o enfrentamento dessa problemática. Nesse sentido, a falta de políticas públicas eficazes permite que o espaço virtual se torne terreno fértil para práticas criminosas, comprometendo a integridade moral e emocional de inúmeros usuários.
Dessa forma, é imprescindível que o Estado, em parceria com instituições educacionais e empresas de tecnologia, desenvolva campanhas de conscientização sobre o uso responsável da internet, promova a alfabetização digital desde o ensino básico e invista em ferramentas tecnológicas que facilitem a identificação de agressores. Somente com uma ação articulada entre prevenção e punição será possível transformar a internet em um espaço seguro e democrático, minimizando os efeitos destrutivos do cyberbullying e dos crimes de ódio.