A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 07/08/2025

A internet transformou radicalmente a comunicação e o acesso à informação, conectando pessoas em tempo real. No entanto, como analisa Zygmunt Bauman na “modernidade líquida”, essa rapidez e fluidez nas relações também favoreceram interações superficiais e hostis. Nesse contexto, crimes de ódio e cyberbullying encontraram terreno fértil para se espalhar, causando sérios danos emocionais às vítimas e comprometendo valores essenciais como o respeito e a empatia.

O documentário The Social Dilemma evidencia que algoritmos das redes sociais priorizam conteúdos que geram engajamento, ainda que incentivem polarização e discursos de ódio. O anonimato e a sensação de impunidade facilitam ataques virtuais que, como no caso de Amanda Todd no Canadá, podem levar a consequências irreversíveis, incluindo o suicídio. Esses episódios mostram que a violência digital pode ser tão devastadora quanto a física.

No Brasil, leis como o Marco Civil da Internet e a nº 13.185/2015 tentam coibir tais práticas, mas a efetividade ainda é limitada. Michel Foucault, ao discutir poder e vigilância, ajuda a compreender como os agressores online se aproveitam das brechas do sistema para agir ocultamente. A falta de mecanismos ágeis de punição e de uma educação digital sólida mantém o ambiente virtual vulnerável a crimes e ataques.

Portanto, embora a internet tenha benefícios inegáveis, ela pode se tornar um instrumento perigoso quando usada para disseminar ódio e violência. É essencial implementar alfabetização digital desde a infância, combinada a políticas públicas mais rigorosas e ações eficazes das próprias plataformas. Como alerta Hannah Arendt, a banalidade do mal surge quando atos violentos se tornam comuns — e impedir essa normalização é uma urgência coletiva.