A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 08/08/2025

A ascensão da internet, embora tenha ampliado o acesso à informação e aproximado pessoas, também abriu espaço para a propagação de condutas nocivas, como crimes de ódio e cyberbullying. No ambiente virtual, a distância física e a comunicação mediada por telas favorecem a perda de empatia e a intensificação de discursos agressivos. Como apontou Zygmunt Bauman, na modernidade líquida, as relações humanas tornaram-se frágeis e descartáveis, o que, nas redes, potencializa interações hostis.

Em primeiro lugar, a impunidade virtual é o principal fator para o crescimento dessas práticas. O anonimato e a dificuldade de rastrear autores funcionam como escudo para agressores, que se sentem autorizados a agir sem medo de punição. Dados da SaferNet Brasil mostram aumento expressivo nas denúncias de discursos de ódio online, revelando que a legislação carece de efetividade, perpetuando um ciclo de violência e vulnerabilidade das vítimas.

Além disso, a cultura digital, marcada pela busca por visibilidade, estimula comportamentos ofensivos como forma de engajamento. O caso da youtuber Júlia Puzzuoli, alvo de ataques após expor sua opinião, mostra como a lógica das redes privilegia conteúdos polêmicos. Pierre Bourdieu, ao discutir o capital simbólico, explica esse fenômeno: quando o ódio gera curtidas e seguidores, ele é socialmente reforçado.

Dessa forma, enfrentar esses problemas requer educação digital nas escolas e aprimoramento das leis para garantir punição efetiva. A revalorização de vínculos humanos, como propõe Bauman, e a consciência sobre a reprodução social do ódio, descrita por Bourdieu, podem transformar a internet em um espaço de diálogo e respeito, restaurando seu papel como ferramenta de construção coletiva.