A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 11/08/2025
O filme “Rede de Ódio”, dirigido por Jan Komasa, evidencia como as redes sociais, embora criadas para aproximar pessoas, podem ser instrumentalizadas para difundir mensagens violentas e destruir reputações. Semelhante a isso, na realidade brasileira, o crescimento dos crimes de ódio e do cyberbullying mostra que o espaço virtual se tornou um ambiente propício para agressões, amparadas pelo anonimato e pela rápida disseminação de conteúdos. Tal cenário exige reflexão, já que seus impactos extrapolam as telas e afetam profundamente a saúde mental e a convivência social.
Sob a perspectiva do sociólogo Pierre Bourdieu, a violência simbólica, ou seja, aquela que possui impacto apenas psicológico, encontra na internet um terreno fértil para se manifestar. Ataques racistas, misóginos e homofóbicos se multiplicam em plataformas digitais, reforçando preconceitos históricos e marginalizando grupos inteiros. Essa lógica, aliada à fluidez das relações descrita por Zygmunt Bauman na “modernidade líquida”, faz com que ofensas se espalhem rapidamente, enquanto a dor da vítima permanece por muito tempo, evidenciando um desequilíbrio entre a efemeridade da publicação e a permanência do dano.
Além disso, a filósofa Hannah Arendt, ao discutir a banalidade do mal, alerta que atos nocivos podem se naturalizar quando não há responsabilização. Na esfera digital, isso se traduz na normalização de discursos de ódio e perseguições virtuais sob a justificativa de “brincadeira” que distorce a ideia de igualdade tanto debatida e estabelecida ao longo da história e transforma a rede em um espaço onde a impunidade alimenta a violência.
Portanto, é urgente que o Estado adote políticas eficazes de combate a essas práticas, como o aprimoramento de leis para abarcar crimes virtuais e o uso de inteligência artificial no rastreamento de conteúdos ofensivos. Em paralelo, campanhas educativas em escolas e redes sociais, conduzidas por psicólogos, educadores e influenciadores, devem estimular a empatia e o respeito no meio digital. Com essas medidas, será possível ressignificar o uso da internet, transformando-a de vilã em aliada na construção de uma sociedade mais justa e segura.