A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 08/08/2025
A internet, originalmente criada para facilitar o acesso à informação e promover a comunicação entre pessoas, vem, cada vez mais, sendo utilizada como um espaço para práticas criminosas, como o cyberbullying e os discursos de ódio. Nesse contexto, a rede, ao invés de servir como instrumento de inclusão e progresso, acaba se tornando um ambiente hostil, especialmente para grupos vulneráveis. A dificuldade de regulamentação e a impunidade dos agressores agravam ainda mais essa problemática.
Em primeiro plano, a facilidade de anonimato e a ausência de fiscalização eficiente contribuem para o aumento dos crimes virtuais. Muitos usuários acreditam que, por estarem atrás de uma tela, podem ofender, humilhar e propagar discursos discriminatórios sem consequências. Segundo dados do SaferNet Brasil, os casos de cyberbullying e discurso de ódio cresceram significativamente nos últimos anos, afetando principalmente adolescentes, mulheres e minorias sociais. Essa violência virtual tem impacto real: danos emocionais profundos, isolamento e até casos de suicídio.
Além disso, nota-se a fragilidade da legislação brasileira diante dessas novas formas de violência. Embora o Marco Civil da Internet e a Lei nº 13.185/2015 representem avanços, ainda há lacunas no combate efetivo aos agressores virtuais, tanto na identificação quanto na punição. A lentidão das investigações e a desinformação das vítimas contribuem para a continuidade desses crimes, que muitas vezes são naturalizados pela sociedade.
Diante disso, é fundamental que o Estado amplie a fiscalização nas redes, invista em tecnologia para identificação de perfis falsos e promova campanhas educativas nas escolas e mídias sobre o uso responsável da internet. Além disso, plataformas digitais devem ser responsabilizadas pela propagação de conteúdos ofensivos. Só assim a internet deixará de ser instrumento de violência e voltará a cumprir seu papel social de conectar, informar e incluir.