A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 09/08/2025
“Como disse Hannah Arendt, ‘o que é mais fácil de destruir — e destruir mais rapidamente — do que o fio de uma teia virtual?’” A internet, embora tenha ampliado o acesso à informação e a comunicação, tornou-se espaço fértil para crimes de ódio e cyberbullying. Com a facilidade de alcance e o anonimato, ataques virtuais se intensificam e afetam milhares de pessoas. Diante disso, é necessário refletir sobre o impacto e as medidas de contenção desses crimes.
Os registros provam o poder destrutivo da internet: em 2022, a SaferNet recebeu mais de 74 mil denúncias de crimes com discurso de ódio, um aumento de 67,7 % em relação a 2021. Entre esses, a xenofobia teve alta impressionante de 874 %, e a misoginia subiu 251 % no mesmo período. Dados do ObservaDH também revelam que, entre 2017 e 2022, foram registradas 293,2 mil denúncias de crimes de ódio na internet — incluindo racismo, LGBTfobia, intolerância religiosa e apologia à violência — sendo 76,1 mil apenas de apologia a crimes contra a vida. Esses números ilustram a magnitude do problema e a urgência de sua abordagem.
Entre 2021 e 2024, ameaças a estudantes e professores nas redes cresceram 140 %, somando mais de 105 mil casos em 2024 e 88 mil apenas até maio de 2025. Conteúdos agressivos migraram da deep web para a web aberta, ampliando o alcance dessas ameaças. Além disso, pesquisas indicam que o cyberbullying afeta ambos os gêneros, mas os meninos são mais ofensores: 17 % admitem ter praticado ofensas, contra 12 % das meninas. O cenário demonstra a urgência de políticas de segurança digital e campanhas educativas para conter tais práticas.
Portanto, a internet, longe de ser apenas uma aliada da modernidade, também se configura como espaço de propagação do ódio e da violência psicológica. É essencial reforçar leis, promover educação digital e atuar nas plataformas para assegurar proteção e responsabilização. A rede não pode permanecer um terreno sem limites. Somente com políticas sólidas e conscientização coletiva será possível transformar a internet em um instrumento de respeito e civilidade.