A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 09/08/2025

O livro “O cidadão de Papel”, do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas que afligem o Brasil contemporâneo. Nessa perspectiva, é necessário entender que a internet como vilã, expressa nos crimes de ódio e no cyberbullying, afeta a sociedade como um todo e traz graves consequências sociais e psicológicas. Assim, seja pelo silenciamento social, seja pelos aspectos socioculturais, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.

Nesse contexto, observa-se que a influência dos aspectos socioculturais reforça de forma intensiva a propagação de discursos hostis. Na visão de Émile Durkheim — expoente sociólogo francês — os valores sociais moldam a identidade e o comportamento do ser humano. De fato, a ação do indivíduo referente à prática de hostilidades digitais resulta de um pensamento coletivo errôneo, visto que muitos percebem a internet como um espaço sem leis, o que favorece condutas nocivas. Assim, urge que a base sociocultural seja revista para que o comportamento da sociedade contemporânea mude, conforme definido por Durkheim.

Sob esse viés analítico, é necessário salientar que a omissão coletiva é causa evidente dessa problemática. A respeito disso, a cronista brasileira Martha Medeiros desenvolveu o conceito “silenciamento social”, segundo o qual os cidadãos e as autoridades não debatem abertamente temas delicados. Sobre isso, percebe-se que a violência verbal no ambiente virtual é ignorada, para que não seja preciso lidar com as consequências, como o agravamento de transtornos mentais nas vítimas. Dessa forma, na visão da cronista, a coletividade segue desinformada e omissa frente à superação da questão.