A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 09/08/2025
O conceito “sociedade do espetáculo” foi criado em 1960 para se referir ao impacto e a importância das aparências para as relações sociais dos humanos. 65 anos depois, esse conceito é perceptível, preocupante e reflete diretamente na maneira como as pessoas utilizam uma ferramenta social poderosa: a internet. Por sua vez, esse modo de uso torna a carência por acompanhamento emocional mais frequente, em especial no que tange crimes de ódio e o cyberbullying. A isto, é possível relacionar a ausência de um espaço adequado para acolher vítimas desses tipos de infração, bem como a falta de reafirmação das legislações vigentes para com o universo digital.
Em primeiro lugar, o julgamento e o preconceito atuam juntos na promoção de um ciclo de invisibilidade que impede pessoas de expôr crimes e incentivar outras vítimas a se pronunciarem. De acordo com a psicóloga familiar Helena Virmonde, “Na grande maioria dos casos, os adolescentes não compartilham [sobre seu sofrimento] por temerem a crítica e a cobrança”. Uma das problemáticas desse ciclo é a falta de um ambiente preparado para acolhimento, fator este que culmina no sofrimento contínuo em silêncio e na falta do devido atendimento, enquanto criminosos vivem em liberdade e impunes.
Em segundo plano, é imprescindível analisar a promoção das legislações relacionadas ao meio digital. Para o professor Daniel Pacheco Pontes, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, a legislação global atual, se aplicada corretamente, “possui os mecanismos necessários para garantir a investigação e punição de crimes cometidos pela internet”. Portanto, fica claro, que não há necessidade de modificar as leis, mas de reafimar e aplicá-las corretamente.
Destarte, cabe ao âmbito familiar e ao Ministério da Educação de todos os países garantir um espaço seguro para vítimas de crimes de ódio na internet através de acompanhamento frequente e adequado para mitigar os efeitos do cyberbullying e promover a denúncia e o acolhimento. Além disso, é papel dos canais midiáticos (redes sociais como o Instagram e o Twitter), em conjunto com os poderes públicos, promover e informar a sociedade sobre a existência de normas que regem a internet. Somente então modificaremos o contexto global atual.