A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 10/08/2025

Na minissérie Adolescência, da Netflix, o espectador acompanha jovens cuja convivência é permeada por interações digitais, revelando redes sociais que funcionam não como espaços de conexão saudável, mas como arenas de exposição, humilhação e violência simbólica. A trama evidencia o caráter predatório dessas plataformas na dinâmica social da juventude, agravado pela negligência familiar marcada pela falta de acompanhamento, e pela omissão governamental no combate a crimes virtuais, especialmente os cometidos por menores.

A negligência familiar exerce papel determinante na intensificação do cyberbullying e de crimes de ódio no ambiente virtual. Muitos pais, alheios à importância do acompanhamento digital, limitam-se a prover recursos tecnológicos sem supervisionar o conteúdo acessado ou as interações estabelecidas pelos filhos, ignorando riscos inerentes à rede. Em certas circunstâncias, essa omissão é precedida por um quadro de ostracismo ou negligência emocional, no qual jovens, privados de afeto e pertencimento no núcleo familiar, buscam refúgio em comunidades virtuais que, muitas vezes, cultivam discursos extremistas e comportamentos nocivos.

A omissão governamental também contribui para a perpetuação de crimes virtuais, ao não garantir mecanismos ágeis e eficazes de responsabilização. A legislação apresenta lacunas, sobretudo quando os infratores são menores de idade, resultando em punições brandas e processos que se arrastam. O caso recente de Nicolly, de 15 anos, assassinada e esquartejada por “amigos” virtuais de 17 e 14 anos expõe tal falha: Semanas após o crime, o processo segue em limbo jurídico, evidenciando a morosidade e a ineficácia das medidas estatais. Sem políticas públicas robustas e fiscalização constante, a internet torna-se terreno fértil para a impunidade e para a sensação de que tais delitos podem ser cometidos sem consequências reais.

Diante do exposto, é necessário conter crimes virtuais e cyberbullying com ações conjuntas entre Estado e sociedade. O governo deve criar um protocolo ágil para denúncias e punições, inclusive a menores de idade. Paralelamente, escolas e conselhos tutelares devem orientar famílias sobre o uso seguro da internet. Assim, será possível transformar as redes em um espaço de segurança e respeito mútuo.