A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 10/08/2025
No filme “O Círculo” (2017), a narrativa mostra uma sociedade hiperconectada onde a exposição excessiva nas redes leva à perda da privacidade e ao aumento de comportamentos hostis. Fora da ficção, o Brasil enfrenta realidade semelhante: a internet, embora seja espaço de informação e interação, também se tornou palco para crimes de ódio e cyberbullying. Essa situação, agravada pela falta de educação digital e pela fragilidade na fiscalização, ameaça a saúde psicológica e social de milhares de pessoas.
O discurso de ódio online cresce alimentado pela sensação de anonimato e impunidade. Dados da SaferNet Brasil (2023) mostram aumento expressivo de denúncias de racismo, misoginia e LGBTfobia. Tal fenômeno confirma a visão de Zygmunt Bauman sobre a “modernidade líquida”: relações virtuais rápidas e superficiais favorecem a desumanização. Assim, a violência simbólica, como definiu Pierre Bourdieu, encontra no meio digital um canal de expansão e alcance.
O cyberbullying, por sua vez, potencializa os danos do bullying tradicional, pois no meio virtual as agressões ultrapassam barreiras de tempo e espaço. Postagens ofensivas podem permanecer indefinidamente, perpetuando o sofrimento — especialmente entre adolescentes, grupo mais vulnerável a problemas como depressão e isolamento, segundo a OMS. Apesar disso, o Brasil ainda carece de políticas eficazes que aliem alfabetização digital e desenvolvimento socioemocional nas escolas.