A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 10/08/2025

A série “Adolescência” retrata, de forma ficcional, as descobertas, conflitos e transformações típicas dessa fase da vida, mas também expõe dificuldades que ultrapassam a tela. No contexto brasileiro, dois problemas se destacam: a carência de apoio emocional e educacional para os jovens e a pressão social que impulsiona comportamentos de risco. Tais questões, embora antigas, ganham novos contornos diante das mudanças culturais e tecnológicas, exigindo ações efetivas para que a juventude possa se desenvolver de forma saudável.

Em primeiro lugar, a ausência de suporte emocional adequado prejudica a formação de identidade e autoestima dos adolescentes. Isso ocorre, sobretudo, pela falta de diálogo nas famílias e pela escassez de programas escolares voltados ao desenvolvimento socioemocional. Assim, a vulnerabilidade aumenta, levando muitos jovens a lidarem sozinhos com ansiedade, insegurança e conflitos internos — problemas amplamente explorados na série, mas vividos intensamente fora dela.

Além disso, a pressão social, intensificada pelo uso das redes digitais, impulsiona a busca por padrões estéticos, comportamentais e de consumo muitas vezes inalcançáveis. Essa cobrança constante gera frustração, baixa autoestima e, em casos extremos, distúrbios alimentares ou envolvimento com substâncias nocivas. Tal cenário reflete uma carência de políticas públicas voltadas à promoção de um ambiente seguro e de informação de qualidade para essa faixa etária.

Portanto, é imprescindível que o Estado, por meio do Ministério da Educação e da Saúde, desenvolva programas integrados que unam escolas, famílias e comunidades na promoção do bem-estar emocional e na conscientização sobre os riscos da pressão social. Somente assim será possível oferecer aos jovens não apenas informação, mas também apoio prático e constante. Assim como nos episódios de Adolescência, em que os personagens encontram soluções por meio da união e do diálogo, a realidade também precisa caminhar rumo a um final de temporada mais promissor para a juventude brasileira.