A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 10/08/2025

O filósofo Zygmunt Bauman afirmou que a tecnologia aproxima fisicamente as pessoas, mas não garante relações mais éticas. Essa contradição é visível na internet, que, além de facilitar a comunicação e o acesso à informação, também abriga crimes de ódio e cyberbullying. Essas práticas prejudicam a saúde mental, reforçam preconceitos e afetam, sobretudo, grupos vulneráveis. A sensação de impunidade e a falta de educação digital contribuem para a continuidade desse cenário.

O anonimato, conforme a “teoria da desinibição online” de John Suler, encoraja usuários a praticarem ofensas e disseminarem discursos discriminatórios, que se espalham rapidamente pelas redes sociais. A fiscalização limitada e a demora na remoção de conteúdos nocivos reforçam a ideia de que agredir online não gera consequências, tornando o espaço virtual propício à intolerância.

Além disso, a ausência de formação cidadã sobre o uso responsável da internet agrava o problema. Muitas escolas priorizam apenas o aspecto técnico do ensino digital, sem tratar de ética, empatia ou impactos legais, o que facilita a naturalização do cyberbullying. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), vítimas de violência virtual têm maior risco de depressão, ansiedade e ideação suicida, evidenciando a urgência de medidas preventivas.

Para combater essas práticas, o governo, por meio do Ministério da Justiça, deve atualizar leis, agilizar a remoção de conteúdos e criar um sistema de monitoramento digital. Escolas, junto a ONGs, precisam oferecer programas de educação midiática desde cedo, enquanto empresas de tecnologia devem aprimorar algoritmos e canais de denúncia. A união de prevenção, punição e conscientização é fundamental para tornar a internet mais segura e respeitosa, garantindo que liberdade de expressão não seja confundida com liberdade de agredir.