A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 10/08/2025
Com a popularização das redes sociais, a internet tornou-se espaço central de interação e troca de informações. Contudo, a ausência de barreiras físicas e a sensação de anonimato favorecem condutas nocivas, como crimes de ódio e cyberbullying. Essas práticas violam direitos previstos na Constituição Federal de 1988, como a dignidade da pessoa humana, e representam um desafio social urgente. Nesse sentido, é essencial compreender como o ambiente virtual potencializa tais comportamentos e propor ações para combatê-los.
O caráter instantâneo e massivo da comunicação online amplia o alcance e os danos de ofensas virtuais. De acordo com a SaferNet Brasil, em 2023 houve mais de 73 mil denúncias de conteúdos de ódio, envolvendo racismo, misoginia e homofobia. Essa realidade remete ao pensamento de Thomas Hobbes, que, ao descrever o “estado de natureza” como um cenário de violência sem controle, destaca a necessidade de mecanismos reguladores — lógica que se aplica ao espaço digital, onde a ausência de fiscalização efetiva contribui para a proliferação de ataques.
Ademais, embora o Código Penal Brasileiro e a Lei nº 13.185/2015, que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, prevejam punições, a aplicação no meio virtual enfrenta obstáculos, como a identificação de agressores e questões de jurisdição internacional. Casos como o da britânica Molly Russell, que cometeu suicídio após sofrer reiterados ataques online, evidenciam o potencial trágico dessas práticas e reforçam a urgência de políticas mais integradas e eficazes.
Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com plataformas digitais e ONGs, implantar um programa nacional de combate à violência virtual por meio do uso de inteligência artificial para identificar e remover conteúdos nocivos, campanhas educativas sobre segurança digital e oferta de apoio psicológico gratuito às vítimas. Paralelamente, é necessário capacitar agentes públicos e criar protocolos ágeis de denúncia, a fim de reduzir a incidência de crimes virtuais e garantir um ambiente online mais seguro, preservando, assim, a dignidade humana.