A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 11/08/2025

“Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades.” A frase atribuída ao personagem Tio Ben, da série Homem-Aranha, nunca foi tão atual diante do impacto da internet no século XXI. Criada para aproximar pessoas e democratizar a informação, a rede mundial se tornou também um espaço propício para a propagação de crimes de ódio e práticas de cyberbullying. A velocidade do compartilhamento e o aparente anonimato concedem a indivíduos mal-intencionados a oportunidade de difundir conteúdos discriminatórios e violentos sem barreiras imediatas, ampliando o alcance do dano.

De acordo com dados da SaferNet Brasil, apenas em 2024, mais de 80 mil denúncias de crimes de ódio foram registradas, incluindo racismo, homofobia e misoginia. Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, afirmou: “A web é para todos, mas somente se a tornarmos segura e acessível para todos.” Contudo, a ausência de monitoramento efetivo e a fragilidade dos filtros de segurança permitem que mensagens nocivas atinjam milhões de usuários rapidamente, provocando impactos sociais e psicológicos que muitas vezes se estendem para além do ambiente virtual.

No que se refere ao cyberbullying, a situação também é alarmante. Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que 46% dos adolescentes brasileiros já foram vítimas de violência online. A filósofa Martha Nussbaum recorda que “o ódio é uma forma de medo, e o medo leva à exclusão.” Tais ataques, quando repetidos e direcionados, afetam seriamente a saúde mental das vítimas, podendo resultar em quadros de ansiedade, depressão e até em casos de suicídio. A impunidade e a dificuldade de rastrear autores de agressões digitais contribuem para que esse ciclo de violência se perpetue e, em muitos casos, se intensifique.

Diante disso, fica evidente a falha do governo brasileiro: a ausência de políticas públicas robustas para prevenir e combater crimes virtuais. Apesar do Marco Civil da Internet e da Lei do Bullying, sua aplicação é insuficiente. É necessário investir em tecnologia de rastreamento, capacitar autoridades para lidar com delitos digitais e implementar programas educativos sobre cidadania digital.