A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede
Enviada em 11/08/2025
“A tecnologia é uma ferramenta: o problema está na forma como é usada”, afirmou Bill Gates, ressaltando que o valor ou o risco de um recurso depende da maneira como é empregado. No contexto atual, a internet, criada para conectar pessoas e democratizar informações, tem sido também palco de crimes de ódio e práticas de cyberbullying. Diante disso, percebe-se que tal problemática se agrava tanto pela percepção do espaço virtual como uma “terra sem lei” quanto pelo comportamento abusivo de usuários que ultrapassam os limites da crítica, gerando danos emocionais e sociais profundos.
Em primeiro lugar, a sensação de impunidade no meio digital, aliada à dificuldade de rastrear agressores, favorece a disseminação de ofensas e ameaças. Além disso, segundo pesquisa da Universidade de Oxford (2023), 41% dos brasileiros já sofreram assédio online, mas poucos registraram denúncia formal, o que evidencia a subnotificação e, consequentemente, a perpetuação do problema. Ademais, embora exista a Lei 13.185/2015, que combate a intimidação sistemática, ainda há entraves para que ela atinja o espaço virtual com eficácia. Portanto, sem fiscalização rigorosa e responsabilização efetiva, a rede continuará sendo ambiente propício para práticas hostis.
Outrossim, é alarmante até onde alguns internautas chegam para criticar e humilhar outros. Assim como o caso de Lucas Santos, filho da cantora Walkyria Santos, que tirou a própria vida após ataques virtuais, ilustra de forma trágica as consequências irreversíveis dessa violência. De maneira semelhante, a reflexão de Martin Luther King “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons” revela que a omissão diante das agressões contribui para sua normalização.
Dessa forma, é imprescindível que o Ministério da Justiça e as plataformas digitais aprimorem os mecanismos de denúncia e remoção rápida de conteúdos nocivos, bem como promovam campanhas educativas sobre ética e empatia no ambiente virtual. Simultaneamente, cabe às escolas desenvolver ações pedagógicas que incentivem o uso consciente da tecnologia. Assim, será possível preservar o potencial construtivo da internet, evitando que ela continue servindo como amplificadora do ódio.