A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 11/08/2025

Na obra Vigiar e Punir, Michel Foucault analisa como as formas de controle moldam o comportamento humano. No cenário atual, a internet, embora seja um espaço de acesso à informação e de interação social, também se tornou palco para crimes de ódio e práticas de cyberbullying. O anonimato e a sensação de impunidade no meio digital potencializam tais condutas, exigindo ações urgentes para minimizar seus efeitos nocivos.

A hostilidade online está diretamente ligada ao “efeito desinibidor”, conceito descrito por John Suler, que explica como a ausência de contato físico e a possibilidade de ocultar a identidade encorajam comportamentos agressivos. Essa condição facilita a propagação de discursos preconceituosos e perseguições, sobretudo contra minorias. O escritor Umberto Eco já alertava para esse fenômeno ao afirmar que “as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis”, evidenciando a banalização do ódio na esfera digital.

O cyberbullying, por sua vez, é caracterizado por agressões, humilhações e ameaças praticadas em meios digitais, trazendo consequências emocionais graves, como ansiedade, depressão e, em casos extremos, suicídio. A rápida disseminação das ofensas e a dificuldade em removê-las perpetuam o sofrimento das vítimas. No Brasil, leis como o Marco Civil da Internet e a Lei nº 13.185/2015, que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, representam avanços, mas ainda enfrentam falhas na fiscalização e na educação preventiva.