A internet como vilã: crimes de ódio e cyberbullying na rede

Enviada em 11/08/2025

No cenário contemporâneo, a internet consolidou-se como um espaço essencial de comunicação, interação e acesso à informação. Contudo, seu uso indiscriminado também a transformou em palco para crimes de ódio e cyberbullying. Essa dualidade remete ao alerta de George Orwell, em 1984, sobre o uso da comunicação como ferramenta de manipulação e destruição. Assim, o ambiente virtual, quando mal utilizado, pode ameaçar a dignidade, a privacidade e a saúde mental dos indivíduos, exigindo ações urgentes de prevenção e combate.

Um exemplo notável desse problema é o filme Eighth Grade (2018), que retrata o impacto emocional do cyberbullying na vida de adolescentes e como a exposição excessiva nas redes pode gerar insegurança e isolamento. A sensação de anonimato e a ausência de fiscalização permitem que agressores ajam sem medo de punição, fenômeno explicado pela “desinibição online” proposta pelo psicólogo John Suler. Com isso, condutas hostis são amplificadas, dificultando a preservação de um espaço digital saudável e respeitoso.

Os efeitos dessas práticas, porém, não se limitam ao meio virtual. Casos como o da ativista Dandara dos Santos, vítima de ataques transfóbicos nas redes antes de sua morte, evidenciam que o ódio online alimenta a violência física e perpetua preconceitos já existentes na sociedade. Sem mecanismos eficazes de controle e punição, a internet transforma-se em um território sem lei, no qual a impunidade reforça comportamentos agressivos e normaliza a intolerância.

Portanto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar o programa “Rede Segura”, com duas ações principais: no campo educativo, promover palestras e campanhas permanentes em escolas e universidades, com especialistas em segurança digital e psicólogos, para conscientizar sobre o uso ético e seguro da rede; e, no campo policial, investir em tecnologia de rastreamento de IPs e equipes especializadas na investigação de crimes virtuais, garantindo a responsabilização dos agressores. Essas medidas, articuladas e contínuas, visam reduzir a incidência de crimes online, proteger a dignidade das vítimas e transformar a internet em um ambiente mais seguro e democrático