A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 20/03/2026

De acordo com a Constituição Federal de 1988, os artigos 5º e 6º garantem o bem-estar social e o acesso à informação a todos os cidadãos. Entretanto, esse direito não se concretiza plenamente, uma vez que o uso excessivo da internet, embora facilite o acesso a conteúdos, pode restringir a capacidade de reflexão crítica dos indivíduos. Sob esse viés, é necessário destacar fatores responsáveis por essa problemática: o individualismo presente na sociedade e o legado histórico.

Diante desse cenário, é importante pontuar que há, no Brasil, uma preocupante postura passiva diante do excesso de informações. Segundo Immanuel Kant, filósofo alemão, a “menoridade intelectual” consiste na incapacidade ou na falta de disposição de pensar por si mesmo, mesmo tendo acesso ao conhecimento. Sob essa ótica, quando as pessoas se limitam a consumir informações prontas, sem questioná-las ou analisá-las criticamente — como ocorre nas redes sociais, por meio de algoritmos que filtram conteúdos —, acabam delegando sua autonomia intelectual. Assim, essa mentalidade contribui para a superficialidade do pensamento e para a dificuldade de desenvolver uma reflexão mais profunda.

Outrossim, destaca-se o legado histórico relacionado ao uso da tecnologia como forma de alienação. Em “Admirável Mundo Novo”, Aldou Huxley denuncia o uso da tecnologia como instrumento de anestesia social. A obra revela que o progresso técnico, quando subordinado a logica do controle e do consumo, pode suprimir a autonomia individual e produzir uma sociedade apatica e conformista. Nesse sentido, observa-se que a disseminação de fake news e o consumo rápido de informações na internet favorecem a desinformação e impedem análises mais criteriosas. Dessa forma, esse comportamento reforça a passividade social e limita o desenvolvimento do pensamento crítico.

Portanto, cabe ao Poder Legislativo — responsável pela elaboração de leis — promover, por meio de verbas governamentais, a criação de politicas públicas que incentivem o pensamento crítico com a finalidade de combater a superficialidade informacional e garantir, na prática, uma sociedade mais consciente e reflexiva, conforme previsto na Carta Magna.