A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 18/03/2026
Na Grécia Antiga, no primitivo da sociedade pensante, Sócrates conseguiu desenvolver o conceito de maiêutica: o parto, exercício e aplicação do pensamento. Entretanto, a reflexão não é mais exercida, já que a internet, mesmo dando os meios necessários para que ela acontecesse, restringiu essa capacidade. Dessa maneira, a terceirização do pensamento e a falta de análise crítica contribuem para essa problemática.
Sob essa lógica, Descartes afirma “penso, logo existo”, evidenciando que essa capacidade é fundamental para a existência humana. Porém, com o uso ilimitado das informações colhidas da internet, esse método não pode ser exercido. Ao continuar se desprovendo de conhecimento, de reflexão - usando IA para resumir e produzir textos, por exemplo - o ser humano escolhe se tornar ignorante, utilizando um artíficio responsável por auxiliar como plano principal das suas decisões. Logo, enquanto o homem trocar a própria consciência pela tecnologia, a competência pelo saber será cada vez mais reduzida.
Ademais, em Black Mirror, observa-se a substituição das funções humanas pela tecnologia. Nessa mesma lógica, é nítido que esse cenário também se aplica na realidade. Há uma inversão de funções e isso fica claro quando se analisa a ausência de critério às informações apresentadas no mundo digital, incapacitando a população de questionar-se sobre a veracidade e moralidade do que lhe é apresentado. Quando o mundo é infestado por fake news, - as quais muitas vezes não são nem lidas, apenas precisam passar veracidade para serem compartilhadas -. é notório que o hábito de pensar e questionar foi abalado. Desse modo, enquanto a sociedade não voltar a exercitar o pensamento crítico mediante a internet, a manipulação mental e digital continuará a ocorrer.
Portanto, é de dever do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - responsável por desenvolver e gerenciar projetos tecnológicos no Brasil -, junto ao Governo Federal, promover campanhas de incentivo à busca própria pelo conhecimento, por meio de palestras nas escolas, aulas de filosofia sobre a importância do saber a fim de minimizar os danos da substituição do cérebro pela internet. Assim, será possível dar continuidade a maiêutica de Sócrates.