A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 30/10/2019

Na era da informação e das redes sociais, é cada vez maior a importância daquilo que ocorre nesse meio para a sociedade, haja vista as diversas eleições que foram decididas por aquilo que se compartilhava nas redes sociais, como foi o caso dos Estados Unidos, em 2016, e até mesmo do Brasil, em 2018. Assim, nesse meio em que há inúmeras fontes de informação e de espaços para debate, vemos ocorrer justamente o oposto: a permanência das pessoas cada qual em sua “bolha”, ou seja, em contato apenas com aqueles que concordam com suas próprias ideias, o que tem gerado não só uma estagnação do conhecimento, mas também um retrocesso, o que acaba indo na contramão do que se esperaria de um momento em que se dispõe de uma ferramenta tão poderosa quanto a Internet.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que uma pessoa só pode ter conhecimento daquilo com o qual ela teve contato através de sua própria experiência, assim como diziam os filósofos empiristas, como o inglês John Locke. Se ela se mantém restrita a conviver (pessoal ou virtualmente) com aqueles que pensam da mesma forma, é natural dizer que todas as outras formas de pensar não existam para ela. Uma vez que cada grupo busque isolar-se em sua própria bolha, em pouco tempo estaremos em uma sociedade disfuncional, posto que ao não conhecermos outros lados da mesma situação perderemos a capacidade de empatizar e de pensar na humanidade ou na nação como um coletivo.

Conquanto a internet possa, sim, abrir portas para grandes projetos como o da série “Diagnóstico”, em que leigos e profissionais da saúde de todo o mundo colaboram para encontrar diagnósticos para explicar sintomas raros, este não tem sido o teor mais frequente do uso das comunidades “on-line”. Em seu lugar, vemos crescendo correntes de pensamento que acreditava-se pertencentes ao passado, como os movimentos anti-vacina e terraplanista.

Portanto, vemos o quão importante é que estouremos essas bolhas em que nos encontramos e façamos melhor uso da incrível ferramenta que é a Internet. É importante colocar frente a frente, de forma amigável, pessoas com opiniões opostas quanto aos temas em voga, como é feito no canal do YouTube “Spotnicks” ou no “podcast” “Mamilos”. Tal prática deve ser fomentada pela Secretaria de Cultura em parceria com esses e outros canais da Internet que estejam abertos ao diálogo, desta forma, cada personalidade presente levará a sua audiência, a sua “bolha”, a participar de um diálogo aberto a fim de não apenas informar e desenvolver conhecimento, como também de abrir mentes e construir pontes.