A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão

Enviada em 10/09/2019

A criação de enciclopédias no século XVIII transformou a forma como o homem agrupava o conhecimento para sua formação intelectual. No século XXI, a internet, vem sendo a principal forma de disseminação de conhecimento que formam as sociedades na contemporaneidade, uma vez que o acesso é interativo e facilitado. Nesta perspectiva, avaliar os efeitos acerca da facilidade ao acesso a informação torna-se imprescindível.

A internet, chamada inicialmente de Arpanet, surgiu no século XX sendo um marco revolucionário na história mundial. Tal invenção evoluiu e atualmente mais de 50% da população mundial tem acesso a internet, adjunto a isso a valorização da internet cresceu exponencialmente de forma que atualmente é vista como detentora do saber. Contudo, as pessoas estão perdendo a capacidade de julgar e questionar a veracidade das informações expostas nela, tendo que é mais fácil procurar o que lhe convêm e aceitar como verdade absoluta.

Sendo assim, é evidente que houve a perda do mecanismo de debate. Sob essa ótica, em 2016, o dicionário de Oxford elegeu “pós-verdade” como a palavra do ano, um neologismo que descreve a situação na qual quando precisa-se criar e modelar uma opinião, os fatos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais. Com isso, a internet, com os chamados algoritmos de controle, funciona como um mecanismo catalisador. Afinal, seleciona e apura os dados que melhor se aninhem ao direcionamento político e ideológico do usuário tornando a reflexão cada vez menor.

Vale ressaltar, ainda, o alto poder de alienação das redes sociais como impulsionador do tema. Além disso, usando esses mecanismos, a mente humana corre risco de ser viciada e dominada, basta ver os algoritmos na rede, que entram no cérebro de um adolescente e ajudam a formar sua personalidade de acordo com seus interesses na grande rede. Tal situação agrava, as estruturas sociais moldadas sem a percepção dos indivíduos, modelos padronizados e estabelecidos para interesses restritos via falta de criticidade frente as múltiplas informações midiáticas.

É fundamental, portanto, que tal problemática seja admitida e combatida. Diante disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), deve promover palestras com especialistas a fim de levantar o debate acerca do uso correto da rede, além de apresentar os malefícios proporcionados pelo uso incorreto. As escolas em parceria com as famílias, devem elaborar trabalhos que visem motivar e informar sobre como a leitura e reflexão são importantes para os processos de desenvolvimento intelectual e pessoal. Posto isso, é possível abandonar os riscos que a grande rede favorece e mitigar os efeitos da ausência de reflexão sobre o que é ilustrado na internet.