A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 10/09/2019
A busca por informações não é uma invenção atual: ela tem origem no iluminismo, no qual surgiu a Enciclopédia a fim de trazer conhecimento ao indivíduo. Entretanto, na era moderna na qual vivemos, o homem contemporâneo esta mergulhado em informações rasas disponíveis na internet nas quais apenas absorve e não reflete .Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
O processo de reflexão não é natural como o pensar: ele requer condicionamento, perguntas, preparo e aprofundamento . De acordo com o filósofo Descartes, o verdadeiro conhecimento surge através da razão e não de conhecimentos já recebidos, que por muitas vezes podem ser enganosos. Com tal característica as notícias falsas tem tido grandes proporções nas redes sociais, devido a falta de reflexão da sociedade, que de maneira assídua aceita mentiras como verdades pelo fato de não refletirem sobre as informações compartilhadas nas redes.
Faz-se necessário salientar, que este problema tem como agravante os baixos níveis educacionais, uma vez que não geram cidadãos com senso crítico, mas apenas reprodutores de opinião que assim como bois, seguem sua manada. Logo transformam-se em sujeitos passivos na reflexão social, que análogo ao livro “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago tornam-se cegos, não cegos que não veem, mas cegos mentalmente.
Consequentemente é indubitável que medidas são necessárias para resolver essa problemática. Em primeira análise cabe ao governo junto ao Ministério da Educação elaborar projetos pedagógicos em instituições de ensino, que envolvam a comunidade como debates, e pesquisas filosóficas a fim de fomentar o senso crítico e a reflexão da sociedade. Já a mídia aliada à iniciativa privada seria responsável por propagandas que alertassem sobre os perigos de informações superficiais adquiridas na internet. Só assim o Brasil poderá superar este problema.