A internet facilitou a informação, mas restringiu a capacidade de reflexão
Enviada em 03/10/2019
É fácil perceber que os efeitos negativos da internet nascem na difusão de valores como o individualismo e o sensacionalismo, na qual estão submetidas muitas pessoas sem senso crítico. Entretanto, esse mesmo meio de comunicação de massa permite um contato com o mundo distante, permitindo ao público ter acesso ao poder da informação. Sendo assim, a discussão sobre os efeitos da internet só fará sentido se for considerado o uso que cada usuário faz do veículo.
Em primeiro lugar, pode-se citar que a Escola de Frankfurt, no século XX já abordava sobre a “ilusão de liberdade do mundo contemporâneo”, afirmando que as pessoas eram controladas pelos meios de comunicação e também chamada “indústria cultural". Hoje, é possível traçar um paralelo com essa realidade, visto que milhões de pessoas no mundo são influenciadas e manipuladas, por meio de sistemas de busca, o que faz com que elas sejam direcionadas a produtos específicos, resultando em indivíduos sem autonomia de escolha. Exemplo disso, foi o período eleitoral brasileiro, aonde o presidenciável Jair Bolsonaro foi beneficiado por empresas, que compraram pacotes de envio de mensagens por whatsapp para a disseminação de Fake News contra o seu opositor Fernanda Haddad, conforme noticiado na “Folha de São Paulo”.
Além disso, é importante destacar que grande parte da população não tem consciência da importância da utilização, de forma correta, da internet, visto que as instituições formadoras de conceitos morais e éticos não têm preconizado, como deveriam, o ensino de uma polarização digital”, como faz o site “Boatos.org”, o qual auxilia os indivíduos a desmistificarem as notícias falsas e, assim, diminui, seu compartilhamento. Nesse sentido, como disse o empresário Steve Jobs, “A tecnologia move o mundo”, ou seja, é preciso que medidas imediatas sejam tomadas para que a internet possa ser usada no desenvolvimento da sociedade, ajudando as pessoas a se comunicarem plenamente.
Portanto, cabe aos Estados, por meio de leis e de investimentos, com um planejamento adequado, estabelecer políticas públicas efetivas que auxiliem a população a “navegar”, de forma correta, na internet, mostrando às pessoas a relevância existente em utilizar o meio virtual racionalmente, a fim de diminuir, de maneira considerável, o consumo exacerbado, que é intensificado pela manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados. Além disso, é de suma importância que as instituições educacionais promovem, por meio de campanhas de conscientização, para pais e alunos, discussões engajadas sobre a imprescindibilidade de saber usar, de maneira cautelosa, a internet, entendendo a relevância de uma “polarização digital” para a concretização da razão comunicativa, com om o intuito de utilizar o meio virtual para o desenvolvimento pleno da sociedade.